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SANTO ÂNGELO
10 de outubro de 2026
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Opinião

O peso político de Santo Ângelo em Brasília e Porto Alegre

  • outubro 10, 2026
  • 5 min read

A consagração de Eduardo Loureiro e Ubiratan Sanderson nas urnas consolida protagonismo para Santo Ângelo e para a região missioneira nos cenários estadual e federal.

A reeleição de Loureiro para o seu quarto mandato na Assembleia Legislativa demonstra a solidez de uma trajetória construída com base na constância e na entrega de resultados para as bases missioneiras. Manter-se como o mais votado da bancada do PDT e ultrapassar a marca dos 11 mil votos em Santo Ângelo evidencia um eleitorado fiel que reconhece a importância de ter um interlocutor tarimbado e influente no parlamento gaúcho. Numa época em que mandatos costumam ser voláteis, a longevidade política de Loureiro é um ativo valioso para garantir que as demandas regionais não fiquem sem eco em Porto Alegre.

Por outro lado, a chegada de Ubiratan Sanderson ao Senado Federal representa um feito histórico e um marco para a representatividade missioneira em Brasília. A aposta de Sanderson na disputa senatorial, inicialmente vista com ceticismo por analistas políticos que projetavam outros cenários para o campo da direita no Rio Grande do Sul, revelou uma leitura cirúrgica do quadro do eleitorado gaúcho.

O saldo para Santo Ângelo é duplamente positivo.

 

Ética em segundo plano

Respeitar o resultado das urnas é base da democracia. É o que nos afasta do autoritarismo e garante a alternância de poder. Contudo, reconhecer a legitimidade de uma eleição não significa anestesiar o senso crítico.

O retrato do último domingo expõe um sintoma preocupante. Pelos resultados apontados pelas urnas, por exemplo, a corrupção deixou de ser uma questão decisiva. É só ver a lista dos eleitos Brasil afora. Pessoas altamente envolvidas em escândalo de corrupção receberam votações muito expressivas. As causas disso ainda precisam ser bem analisadas.

Esse fenômeno mostra uma realidade desconfortável: a corrupção parece ter sido normalizada. As causas misturam o desencanto generalizado com a política tradicional, a polarização ideológica transforma eleições em campos de batalha existenciais-onde o “adversário” é visto como um mal maior que qualquer desvio ético —, e a eficácia de campanhas blindadas por recursos bilionários e forte capilaridade digital.

A democracia sobrevive quando respeitamos o veredito das urnas, mas adoece gravemente se silenciarmos diante dos valores que essas mesmas urnas decidem abandonar.

 

Mandatos de redes sociais

Desde 2018, as urnas brasileiras vêm atestando uma mudança no perfil de quem conquista o poder. A consolidação dos candidatos midiáticos e dos chamados “lacradores” das redes sociais escancara uma faceta preocupante do nosso processo eleitoral: a substituição da densidade programática pelo engajamento digital. Trata-se da bancada do barulho, eleita sob a suposta “nova política” que, na prática, revelou-se apenas uma roupagem mais agressiva e vazia para a ocupação de espaços de decisão.

Essa escolha é legítima, é bem verdade. Numa democracia, o voto é soberano. O problema é o custo social dessa escolha. O mandato construído sobre o pilar exclusivo da polêmica viral, do corte para o Reels e da polarização permanente costuma ser tragicamente inócuo quando chega a hora de entregar o que importa: políticas públicas consistentes, articulação de recursos e capacidade técnica para melhorar a qualidade de vida da população.

O mandato vira uma vitrine pessoal, um gerador de cliques e visualizações, enquanto os gargalos reais da infraestrutura, da saúde, da educação e da economia continuam à míngua por falta de quem se dedique a resolvê-los de fato.

 

Resultados e leituras diversas

Avaliar o desempenho dos demais candidatos locais que ficaram fora das urnas exige contextualização, mas também franqueza. Nem toda derrota tem o mesmo peso. Tivemos aqueles que travaram campanhas limpas, com restrições orçamentárias evidentes, mas que conseguiram construir votações respeitáveis.

Por outro lado, houve quem ficasse abaixo das próprias expectativas, reflexo da falta de leitura do cenário. E, para completar o mosaico, não faltaram aqueles casos em que o resultado beirou o vexame, servindo de duro lembrete de que candidatura não é aventura e que a falta de preparo ou de coesão cobra seu preço de forma implacável na boca da urna.

 

Perguntar não ofende

Onde está a contestação das urnas eletrônicas?

 

Só para lembrar

Continuamos livres para escolher quem nos representa, mas é urgente que o eleitor comece a cobrar a fatura da competência real. Afinal, likes e aplausos virtuais não pavimentam estradas, não reduzem filas de hospitais e não geram empregos. O desafio das próximas eleições será redescobrir o valor da sobriedade e da entrega concreta, resgatando a política do pântano do entretenimento digital.

 

Para refletir

“A corrupção não é paga pelos ricos; a corrupção é paga pelos pobres.”

Padre Francisco

 

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HOGUE

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