
O mês de outubro deve ser mais chuvoso e frio do que o habitual no Rio Grande do Sul. A previsão indica que o período de maior risco para temporais, cheias de rios e transtornos deve ocorrer entre a segunda e a terceira semana do mês.
Segundo Murilo Lopes, meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), outubro já está entre os meses historicamente mais chuvosos no Estado. Apesar disso, ele destaca que é difícil prever quanto a precipitação poderá superar os registros do mês passado.
Até quarta-feira (30), último dia de setembro, a Defesa Civil havia registrado mais de 70 mil pessoas afetadas pelos temporais que atingiram o Rio Grande do Sul somente no evento climático do fim de semana anterior.
A chuva acima da média deve atingir principalmente a Metade Norte do Estado. Conforme Maria Clara Sassaki, especialista em meteorologia da Climatempo, a primavera já apresenta maior risco de tempestades, devido às condições de temperatura e energia favoráveis à formação de episódios intensos de chuva.
Ela também destaca a influência do El Niño, classificado como “muito forte”, com mais de dois graus de anomalia na temperatura do Pacífico Equatorial, o que potencializa as chuvas na Região Sul.
Chuva em outubro
Apesar do predomínio do sol nesta quinta-feira (1º), a trégua deve durar pouco. De acordo com Maria Clara, o período mais crítico para novas tempestades será da metade da próxima semana até o fim da primeira quinzena de outubro. São esperados altos volumes de chuva e cheias de rios.
Entre os dias 16 e 23, a previsão é de uma semana com menos chuva e acumulados menores. Já entre os dias 24 e 31, a tendência é de aumento da chuva na Metade Norte.
Municípios do Norte, Noroeste, Litoral, Região Metropolitana, Serra, Centro e Sul deverão registrar volumes de chuva um pouco acima da média em outubro.
A previsão chama atenção porque algumas cidades já possuem médias históricas elevadas. Em Passo Fundo, por exemplo, a média de chuva para outubro é de 239 milímetros, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Em Caxias do Sul, a média é de 192 milímetros. Como comparação, entre a meia-noite e as 16h do dia 21 de setembro, foram registrados 176 milímetros de chuva na cidade, conforme dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Para Murilo Lopes, da UFSM, as tempestades são características da primavera e, por isso, os episódios de chuva no Estado podem vir acompanhados de temporais significativos.
Os especialistas não descartam a ocorrência de eventos climáticos extremos, como tornados, microexplosões, vendavais e ciclones extratropicais.
Médias históricas de chuva em outubro:
- Porto Alegre: 153 milímetros
- Caxias do Sul: 192 milímetros
- Passo Fundo: 239 milímetros
- Santa Maria: 203 milímetros
- Uruguaiana: 181 milímetros
- Bagé: 176 milímetros
- Torres: 144 milímetros
- Pelotas: 120 milímetros
Risco de cheias
Com a previsão de chuva acima da média, também aumenta o risco de cheias nas bacias hidrográficas do Estado.
Para Rodrigo Paiva, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, a situação exige atenção da população, especialmente daqueles que vivem em áreas mais suscetíveis.
Segundo ele, as cheias podem ocorrer pela combinação de chuvas volumosas e, em alguns casos, concentradas, sobre bacias e solos que já estejam saturados.
Temperaturas abaixo da média
Assim como em setembro, a tendência para outubro é de temperaturas abaixo da média histórica em boa parte do Rio Grande do Sul. O cenário é favorecido pela maior frequência de chuva e pela passagem de frentes frias ao longo do mês.
As médias climatológicas do Inmet indicam temperaturas máximas médias de 25°C em Porto Alegre e Santa Maria, 24°C em Passo Fundo e 22°C em Caxias do Sul e Torres.
Segundo Lopes, a Região Sul também deverá registrar episódios de ventos costeiros, que podem trazer períodos de ar seco e temperaturas mais baixas. Apesar da possibilidade de dias mais quentes, a previsão não indica que o calor permaneça por períodos prolongados.
Fonte: gzh

