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SANTO ÂNGELO
22 de setembro de 2026
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País Política

Lula defende soberania e não interferência externa em discurso na ONU

  • setembro 22, 2026
  • 4 min read
Lula defende soberania e não interferência externa em discurso na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta terça-feira (22), a soberania dos países e o princípio de não interferência em assuntos internos durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao abordar os desafios internacionais, Lula afirmou que os países precisam escolher entre diferentes caminhos para enfrentar os problemas globais, citando o multilateralismo, a democracia e a soberania como princípios que, segundo ele, devem ser preservados.

“Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação”, afirmou.

O presidente também mencionou a relação do Brasil com os Estados Unidos. Segundo Lula, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é uma realidade, mas isso não significa que o país deva se subordinar a interesses externos.

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou, ao defender parcerias voltadas ao desenvolvimento.

Lula também afirmou que o governo não permitirá ações que, segundo ele, possam ameaçar a democracia brasileira.

“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”, disse.

A declaração ocorre em meio ao atual cenário de tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O contexto inclui a eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro, na qual Lula disputa a Presidência com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Interferência externa e tarifas

Durante o discurso, Lula também criticou as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O presidente classificou as medidas como instrumentos de pressão nas relações comerciais e defendeu o fortalecimento do sistema multilateral de comércio.

“A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas”, afirmou.

Apesar das tarifas, Lula disse que o Brasil deverá registrar um novo recorde de exportações neste ano.

A preocupação do governo brasileiro com uma possível interferência externa no processo eleitoral também foi mencionada no contexto do discurso. A defesa de que a escolha do próximo presidente deve caber aos brasileiros tem sido reiterada por Lula e integrantes do governo.

A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU e reúne representantes dos 193 Estados-membros. Durante o debate geral, chefes de Estado e de governo apresentam suas posições sobre temas internacionais.

Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na abertura do debate geral, prática mantida desde 1955. Neste ano, Lula foi seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Outros pontos do discurso

Lula também abordou o combate ao crime organizado, a inteligência artificial, as redes digitais, o PIX, o comércio internacional e os conflitos globais.

Sobre segurança, defendeu a cooperação internacional para combater o fluxo de armas e dinheiro destinado ao crime organizado.

Na área de tecnologia, criticou o que chamou de “tecno-oligarcas” e defendeu regras para as plataformas digitais e o desenvolvimento da inteligência artificial.

O presidente também afirmou que o Brasil não pretende ceder a pressões de multinacionais relacionadas ao PIX.

Na política internacional, voltou a defender o multilateralismo, a reforma do Conselho de Segurança da ONU e a busca por soluções diplomáticas para conflitos.

Meio ambiente

Na área ambiental, Lula afirmou que o Brasil pode conciliar crescimento econômico, redução das emissões e preservação ambiental.

O presidente destacou a redução do desmatamento na Amazônia e afirmou que o país possui uma matriz energética baseada em fontes limpas. Também reforçou a ideia de que a floresta deve ser mantida em pé.

Ao mesmo tempo, defendeu a exploração de recursos naturais, citando a Margem Equatorial e as terras raras utilizadas na transição energética. Segundo Lula, a exploração desses recursos deve estar associada à geração de valor, transferência de tecnologia e atendimento a setores estratégicos do país.

“Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas”, concluiu.

Fonte: g1

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Carolina Gomes

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