Polícia analisa imagens e indica que estudante atingido por goleira em escola de Caxias não se pendurou na estrutura

A Polícia Civil identificou, por meio das câmeras de segurança do Instituto Estadual Cristóvão de Mendoza, em Caxias do Sul, o momento em que uma goleira caiu sobre o estudante Fabian Alexander Zerpa Bermudez, de 11 anos. O menino, natural da Venezuela, foi atingido na região da nuca enquanto brincava na escola na quarta-feira (16) e morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico.
De acordo com a investigação, conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), a criança não se pendurou na estrutura. A goleira estava desativada, solta no espaço escolar e caiu quando o menino passava pelo local.
Segundo a delegada Aline Martinelli, as imagens mostram outras crianças brincando próximas à estrutura e segurando a rede da goleira. Fabian, porém, não aparece se pendurando nela. A polícia aguarda o laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que deverá auxiliar na reconstituição da dinâmica do acidente.
Duas goleiras antigas estavam fora de uso após reformas realizadas na escola. Uma delas é a estrutura que atingiu o estudante. A polícia agora investiga por que as traves permaneceram em um espaço ao qual os alunos tinham acesso.
As imagens analisadas também mostram que, na segunda-feira (14), as goleiras foram levadas pelos próprios estudantes para o centro de um pátio externo, localizado em frente ao ginásio. O local passou a ser utilizado pelas crianças para jogos e brincadeiras.
O acidente ocorreu na quarta-feira, por volta das 17h20min, durante o horário de saída dos alunos do Ensino Fundamental e de entrada dos pais. Conforme a delegada, havia professores nas proximidades, e a investigação ainda busca esclarecer como era feita a supervisão naquele espaço.
As imagens do momento da queda não serão divulgadas pela Polícia Civil por mostrarem menores de idade. Novos depoimentos de testemunhas ainda serão realizados pela DPCA.
A investigação também deve verificar o cumprimento da Lei Estadual 16.438, que determina a fixação no solo das bases de goleiras destinadas à prática esportiva em espaços públicos e privados no Rio Grande do Sul.
A delegada afirma que um dos pontos centrais do inquérito é entender por que a estrutura, que estava desativada em razão das obras na escola, foi levada para aquele local.
O Instituto Cristóvão de Mendoza passa por reformas desde 2024, com intervenções em áreas como salas de aula, ginásio, refeitório e auditório. A polícia também deverá analisar outros aspectos relacionados ao caso, incluindo eventuais responsabilidades de fiscalização e possíveis reclamações envolvendo as obras.
As aulas na escola estão suspensas até terça-feira (22). Segundo a Secretaria Estadual da Educação (Seduc), durante o período, professores participarão de ações de acolhimento com psicólogos disponibilizados pela 4ª Coordenadoria Regional de Educação. A partir de terça, estudantes e familiares também deverão participar das atividades de reflexão e acolhimento.
Fonte: gzh

