Vozes de silêncio
Bem antes dos farroupilhas… e no tempo destes, misteriosas vozes “tropearam” campos largos, em fatiotas de estafetas! Os setembros sul-brasileiros diferenciam-se dos demais, por razões complexas, simbolizados pelas rosas de ventos rodopiantes, distribuindo simbolismos rotundos de perplexidades lançar mãos destas ambiguidades, adentra as entranhas dos próprios ventos, faz reflexão!
A cor dos farroupilhas trazia diversidade, olhá-la, entendê-la e/ou compreendê-la, faria indagação, aos olhos incomuns e, dentre os dotados de polpudês, o desvendar das misteriosidades, imporia crendices longas e debates espantosos, com guarda-costas vigorosos postados nas costas dos senhores, sustentando no punho, adagas, espadas e acinturados de Smith wesson’s, garantindo, cada qual, a senhoria do seu senhor!
Sangrados no senhorio, porém, idealistas na essência, autênticos espadachins, impunha-se agora, manter o topete de senhores das coxilhas, buscar verdades, garantir as conquistas – herança de compatriotas, exigir respeito e dignidade e afrontar mentiras, porque a honradez estava no bojo de cada guapo, o passado falava por si, nele haviam todos os brios ancestrais, somados com a xucreza de antanho!
Ergueu-se um paredão, constituíram-se duas nações, duas repúblicas, dois cenários, onde, de um lado, havia um continente gigante, com todo o arcabouço exigido pelos estados independentes, por confrontantes, valentes e briosos homens, forjados na têmpera do minuano e das forjas provincianas, somados a eles, voluntários angariados pelas coxilhas, com ou sem anuência própria ou de seus representantes, mas as expensas dos chefes regionais, onde irmãos consanguíneos viram a digladiar-se, desconhecendo das razões!
Longos dez anos de embates, de embustes, de fugas estratégicas, de provocações, curiosamente, também, com a presença de carbonários italianos – sob viés mercenário -, lutando em lados opostos (mas estes, sábios de suas pretensões), foram dez anos de lutas, estranhamente, em nome da paz, onde homens embebidos de coragem, regaram com seu sangue, a terra xucra, na fria e vã esperança de conquistar liberdade, igualdade e humanidade, estes herdeiros da pampa pobre, vergados ou tombados, ainda hoje clamam – nas vozes do silêncio!!

