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SANTO ÂNGELO
19 de setembro de 2026
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Opinião

O homem que comprou a República

  • setembro 19, 2026
  • 2 min read

O Senador Flávio Bolsonaro negociou com o banqueiro Vorcaro aproximadamente R$ 134 milhões para o filme biográfico do seu pai, havendo o efetivo pagamento de mais de R$ 60 milhões que foram enviados a fundos no exterior.

Nos últimos dias, a bondade, ou seria bandidagem, do bandido Vorcaro colocou sob nefastos holofotes o Supremo Tribunal Federal.

Uísques, charutos, prostituição e cifras impublicáveis.

Entre as trocas de ofensas na sessão de julgamento que tratava dos casos dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, o Min. Gilmar Mendes chegou a dizer que a máfia tem mais ética.

O cenário, em pleno período eleitoral, é complexo e grave.

Para além das demandas que tradicionalmente permeiam os palanques eleitorais, como saúde, educação e segurança pública, a relação entre o público e interesses privados criminosos merece a devida atenção dos eleitores.

Estima-se que o prejuízo provocado pelo Banco Master chegue a R$ 50 bilhões. Isso talvez explique a voracidade corruptiva do banqueiro, e não esqueçamos que aconta será paga pelo contribuinte. É dinheiro que faltará nas escolas e hospitais.

Por décadas, em uma espécie de cortina de fumaça retórica, engomados políticos bradaram “bandido bom é bandido morto” para os ladrõezinhos periféricos, regra verbal que nunca valeu para os crimes do colarinho branco.

Invasões policiais em espaços de não cidadania eram celebradas pela mídia, enquanto governadores mantinham relações perniciosas com as milícias e o crime organizado, negociando em ambientes perfumados a partilha do crime.

Isso traz à tona o samba de Bezerra da Silva: “se vocês estão a fim de prender o ladrão, pode voltar pelo mesmo caminho, o ladrão está escondido lá embaixo, de terno e gravata e de colarinho”. O saudoso Mussum, em Reunião de Bacanas, gravada em 1980, já alertava para a criminalidade dos altos escalões.

A discussão não é apenas sobre o homem que comprou a República ou um escândalo específico. O que está em jogo é se o poder público continuará sendo utilizado como instrumento de proteção, influência e enriquecimento de quem pode comprar acesso aos centros de poder.

Estamos diante de uma histórica crise.

E, em ano eleitoral, ignorá-la é uma trágica escolha.

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Andrey Régis de Melo

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