
A renovação do quadro docente despencou em 10 anos no Rio Grande do Sul. Entre 2015 e 2025, o número de professores do Ensino Médio com até 24 anos caiu 42,6%, passando de 638 para 366. No extremo oposto, o contingente de docentes com 60 anos ou mais aumentou 73,3%, de 1,2 mil para 2,2 mil. É o que mostra pesquisa do Instituto Semesp divulgada nesta quarta-feira (16).
Para medir a capacidade de reposição dos profissionais, a entidade criou a Taxa de Renovação Docente, que relaciona o número de professores com até 24 anos ao grupo com 60 anos ou mais. Quanto menor a taxa, maior a dificuldade para renovar o quadro.
Em 2015, havia aproximadamente 0,49 professor com até 24 anos para cada professor com 60 anos ou mais no RS – ou seja, cerca de um jovem para cada dois docentes mais velhos. Em 2025, a relação caiu para 0,16, o que corresponde a aproximadamente um professor jovem para cada 6,1 docentes com 60 anos ou mais. A taxa caiu de 0,49 para 0,16, uma redução aproximada de 67%, portanto.
Com isso, reduziu significativamente o potencial de reposição do quadro docente no Estado. O estudo reforça o alerta feito pelo Instituto Semesp em 2022 sobre o risco de escassez de professores na Educação Básica. Naquele ano, foi divulgado levantamento mostrando que o déficit de professores no país pode chegar a 235 mil em 2040, caso a renovação do quadro docente continue nesse ritmo.
— Os dados mostram que o risco de apagão não depende mais apenas da quantidade de professores existentes hoje. O principal desafio está na capacidade de formar, atrair e incorporar novos profissionais em ritmo suficiente para substituir aqueles que deverão deixar a carreira nos próximos anos — destaca a presidente do Semesp, Lúcia Teixeira.

