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SANTO ÂNGELO
10 de setembro de 2026
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Estado

PMs atiraram 10 vezes antes de reação de agricultor morto em Pelotas, aponta perícia; sete são indiciados por homicídio

  • setembro 10, 2026
  • 3 min read
PMs atiraram 10 vezes antes de reação de agricultor morto em Pelotas, aponta perícia; sete são indiciados por homicídio

Laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP) apontam que, em um intervalo de 28 segundos, policiais militares dispararam 10 vezes com fuzis antes de qualquer reação do agricultor Marcos Nörnberg, morto dentro de casa durante uma ação da Brigada Militar em Pelotas, no sul do Estado, em 15 de janeiro.

O primeiro tiro ocorreu às 3h04min35s da madrugada. Logo depois, outros nove disparos de fuzil foram efetuados. Somente às 3h05min03s a perícia registrou um tiro da carabina que estava com a vítima. Em seguida, houve nova sequência de tiros de fuzis por parte dos brigadianos. Ao todo, 25 policiais foram investigados.

A prova técnica embasou a conclusão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de que não houve legítima defesa, mas homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco de matar. Sete PMs foram indiciados no inquérito.

Dois sargentos e dois soldados foram indiciados por homicídio doloso, com dolo eventual, quando se assume o risco de matar, pela morte de Nörnberg, e por tentativa de homicídio, também com dolo eventual, contra Raquel Nörnberg, viúva do agricultor. Três policiais do setor de inteligência também foram indiciados como partícipes pelos mesmos crimes.

Conforme a polícia, quatro agentes dispararam contra o agricultor. A perícia detalhou a atuação de cada um:

Eduardo Barboza Roll: um tiro pela janela dos fundos.
Felipe Lempek: sete tiros pela porta de vidro.
Michel Macedo de Moraes: cinco tiros (dois pela janela enquanto a vítima estava abrigada atrás do roupeiro e três em direção ao sofá).
Marcelo Silva da Silva: sete tiros no interior da residência.

— A diferença basicamente é que quatro desses policiais militares, eles atiraram, então eles são coautores. Essa conduta deles contribuiu imediatamente para o resultado. E outros três policiais militares do setor de inteligência da Brigada Militar, que fizeram o levantamento prévio e errado do local, do sítio, essa participação deles, esse levantamento, embora não determinante na morte, juridicamente é importante porque eles contribuíram para o resultado — explicou o delegado Thiago Carrijo, diretor da Divisão de Homicídios do Interior.

Quando ouvidos, os PMs alegaram que atiraram após o agricultor ter disparado contra eles. No entanto, a conclusão da reprodução simulada dos fatos realizada pelo IGP é diversa. No entendimento da perícia, o produtor só disparou após os tiros da BM.

Zero Hora entrou em contato com o advogado Rafael Romeu Padilha, responsável pela defesa dos PMs, que informou que não teve acesso ao laudo referente à reconstituição simulada dos fatos e nem à conclusão do indiciamento. Confira a nota:

“O escritório Romeu Advogados, responsável pela defesa dos brigadianos envolvidos no caso da morte do agricultor na cidade de Pelotas, esclarece que a defesa não foi intimada do laudo referente à reconstituição simulada dos fatos, tampouco da conclusão que resultou no indiciamento dos policiais.

O próximo passo processual será a manifestação do Ministério Público. Eventuais considerações da defesa serão apresentadas oportunamente, nos autos do processo e pelos meios processuais cabíveis. O escritório reafirma seu compromisso com a observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa”.

Fonte: GZH 

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