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SANTO ÂNGELO
05 de setembro de 2026
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Opinião

Vereadora afirma que turno único na Educação ignora a realidade e as carências das escolas

  • setembro 5, 2026
  • 5 min read
Vereadora afirma que turno único na Educação ignora a realidade e as carências das escolas

O debate sobre a adoção do turno único na administração municipal de Santo Ângelo ganhou uma perspectiva diferente partir do alerta feito pela vereadora e presidente do Sindicato dos Professores Municipais, Rosani Stocker (PDT). Ao apontar que a Secretaria de Educação planeja encurtar o expediente em sua sede, enquanto as escolas continuam operando em horário normal, a parlamentar expõe um claro descompasso administrativo.

Rosani observa ainda um problema crônico e silencioso que afeta diretamente o dia a dia dos alunos: o desvio de função. É injustificável que faltem serventes e monitores nas salas de aula e nos pátios enquanto profissionais concursados para essas exatas funções permaneçam retidos no espaço burocrático da sede da Secretaria.

Na visão da vereadora, o caminho para solucionar as falhas na educação não passa por fechar as portas da Secretaria mais cedo, mas sim por devolver cada servidor ao seu devido local de concurso, garantindo que o funcionalismo público cumpra o seu papel onde ele é mais vital: dentro das escolas.

 

Falta de professores e esgotamento dos servidores

A denúncia trazida pela vereadora Rosani Stocker (PDT) sobre a Escola Municipal Antônio Manoel, no Bairro Indubras, transforma números abstratos em uma realidade preocupante do ponto de vista pedagógico. O fato de os alunos estarem sem aulas de Educação Física desde março — sendo simplesmente dispensados-é o retrato de um ano letivo amputado. Chegamos a setembro com um passivo praticamente irrecuperável.

O cenário ainda é mais complicado com a sobrecarga de trabalho no horário do almoço. Em uma escola que funciona em turno integral, a ausência de funcionários entre 11h30min e 13h30min obriga a diretora e a secretária a se desdobrarem para cuidar dos alunos.

Como diagnosticou a parlamentar, essa sobrecarga crônica é o motor que alimenta a explosão de atestados médicos na rede municipal.

 

A verdadeira farra cultural

Para quem ainda ataca a Lei Rouanet. Os 40 artistas que mais faturaram nos últimos dois anos somaram mais de R$ 3 bilhões em contratos. E a principal fonte: Prefeituras de pequenos municípios. Para contrastar, a Lei Rouanet no mesmo período autorizou a captação de R$ 3,4 bilhões para projetos de artistas de todos os níveis.

A disparidade é matemática e moral. A diferença crucial, que muitos fingem não enxergar, reside na origem do dinheiro. A Lei Rouanet não saca recursos diretamente do caixa do governo para entregar na mão do artista; ela autoriza que empresas privadas direcionem parte de seu Imposto de Renda para a cultura. Existe curadoria, prestação de contas rigorosa e contrapartida social.

Já os mega-shows sertanejos que embalam festas de peão e aniversários de cidades de pequeno porte são pagos com dinheiro carimbado, que sai direto dos combalidos cofres municipais. É a verba que falta na saúde, no saneamento e na educação básica sendo pulverizada em shows de menos de uma hora e meia.

O ápice dessa ironia — para não dizer hipocrisia — é que alguns dos artistas que mais se beneficiam desse fluxo direto de dinheiro público são os mesmos que sobem ao palco para demonizar a Lei Rouanet, enquanto assinam contratos milionários sem licitação pagos pelo contribuinte local.

 

Lições a serem apreendidas e insistência

O risco de retrocesso democrático no Brasil não ficou no passado. As memórias contadas pelo ex-comandante da FAB, Carlos de Almeida Baptista Jr., no recém-lançado livro Eu Disse Não! da Editora Autêntica, trazem um alerta incômodo: a linha que separava a estabilidade institucional do caos foi perigosamente tênue. Ao revelar que o país viveu sob “risco iminente de golpe” e fortes pressões sobre a cúpula militar, o brigadeiro escancara o apetite autoritário de grupos que preferem a imposição pela força ao veredito soberano das urnas.

Esse desejo ainda é latente em muitos que andam por aí tangenciando, mas sonhando com a oportunidade de tentar colocar novamente em prática a implosão do estado democrático. É fácil identificar.

 

Perguntar não ofende

O debate da eleição nacional e estadual vai tratar apenas do passado? E o futuro?

 

Só para lembrar

Conforme reportagem publicada pela Folha de S. Paulo abordando os riscos digitais, empresas especializadas alertam que nem toda fraude é visível ou detectável. Aí está o grande risco. Por isso, um em cada três usuários da internet já foram prejudicados, conforme levantamento publicado nesta semana.

 

Para refletir

“Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo”.

Albert Camus

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