Caso Kiss: marcada data de novo julgamento que pode alterar as penas dos condenados

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) marcou para 15 de setembro o julgamento do recurso especial do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) em relação às penas dos condenados do Caso Kiss.
A Corte vai decidir se as penas permanecem como estão ou se voltam a ser conforme a sentença proferida no júri em 2021. Em 26 de agosto de 2025, a 1ª Câmara Especial Criminal do TJ manteve a validade do júri, mas decidiu, por unanimidade, reduzir as penas dos réus condenados.
As penas
Elissandro Callegaro Spohr – 12 anos de prisão (eram 22 anos e 6 meses de prisão na condenação após o júri de 2021)
Mauro Londero Hoffmann – 12 anos de prisão (eram 19 anos e 6 meses)
Marcelo de Jesus dos Santos – 11 anos de prisão (eram 18 anos)
Luciano Bonilha Leão – 11 anos de prisão (eram 18 anos)
O julgamento do recurso, em 15 de setembro, será realizado pela Sexta Turma da Corte, sob relatoria da desembargadora convocada Nilsoni de Freitas. A sessão será presencial, a partir das 14h, no plenário do STJ, em Brasília. Haverá transmissão pelo canal do tribunal no YouTube.
Trâmite processual
O processo chegou ao STJ em fevereiro de 2026 e reúne recursos apresentados pelo MP e por réus da ação penal que apura responsabilidades pelo incêndio.
Os recorrentes Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, e Mauro Londero Hoffmann, sócios da casa noturna; Marcelo de Jesus, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, que tocava na boate na madrugada do incêndio, e Luciano Bonilha Leão, assistente de palco, solicitam alteração dos crimes de homicídio qualificado e nulidade processual.
Atualmente, nenhum dos quatro cumpre pena em regime fechado.
O que dizem as defesas
Jean Severo, advogado de Luciano Bonilha Leão
“A defesa de Luciano tem convicção de que as penas fixadas pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul serão mantidas pelo Superior Tribunal de Justiça. Embora sempre tenha sustentado sua inocência, Luciano já cumpriu a pena que lhe foi imposta e, agora, deseja apenas seguir sua vida com dignidade, trabalhando honestamente e permanecendo ao lado de seus familiares.”
Jader Marques, advogado de Elissandro Callegaro Spohr
Após anos de tramitação, a defesa entende que se trata de mais uma oportunidade para o exame técnico das questões jurídicas no âmbito do recurso.
A decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que redimensionou a pena por unanimidade com base em critérios de dosimetria, será submetida à análise da Sexta Turma do STJ, e a defesa acredita na vigência das súmulas que regulam a matéria e que, geralmente, barram recursos defensivos.
Em respeito à dimensão humana da tragédia e a todos os envolvidos, a defesa não considera adequado ampliar manifestações públicas neste momento.
Os argumentos serão apresentados oportunamente ao Superior Tribunal de Justiça, com serenidade, respeito e confiança na jurisdição.
Zero Hora procurou as demais defesas dos condenados, mas até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

