Canto erudito do sereno
No ápice da montanha o sereno vai enfeitiçando as folhas, nos vagarosos passos da noite, formando gotículas arroliçadas à caminhar divertidamente, igual as lágrimas apaixonadas rolando nas faces enamorados, no estreito e mágico cantinho onde a ternura faz plantação de bondade, regada impiedosamente com perfumes de sabiedade, na imensidão de um jardim!
Ah, essas gotinhas mágicas sonorizando no limbo, traduzem melodiosas cantigas, no seio da folharia, albergadas na bailanta gigantesca deste fabuloso universo, onde os sonhos nascem, renascem e jamais se extinguem, fecundos, em verdejantes pradarias, grandiosas matarias, entremeadas de corrediços leitos de água, vastos e intensos aos olhos sequiosos, em hipótese alguma, desditos!
A perplexidade está posta e nunca denunciará abandono, enquanto houver a noite distribuindo fulgores, o sereno, as “benditas” estrelas extraviadas no infinito, em deslumbramento, apetitáveis aos sentires líricos, de desvairados poetas romancistas, cordelistas desmedidamente felizes e, regionais em eterna conexão com terra/chão, sem ignorar o pousar das borboletas, no altar da noite, desposada a lua pelo sol, ela repousa!
Folhinhas mágicas, ternas e graciosas, em tuas extremidades pontiagudas, o sereno madrugueiro se despede tragicamente, em forma de pingos, projetando-se no precipício, esfacelado em microgotas, unir-se-á pacificamente, para formar sangas cristalinas, raiz dos mananciais aquáticos, berçários de fauna e flora, nascedouro de vidas, fonte de alimentos!
O canto erudito do sereno, escorrendo calmo e serpenteadamente, na face esverdeada e sem enfeites, mas enfeitadas, folhas traceadas, tão pacatas, tão dóceis, tão submissas, todavia, enigmáticas, capazes de impor suplício à nostalgia, nas frinchas do coração, nos amares, porque, em entrecortes de sentimentos, sempre haverá suspiros de “dor,” quando os cílios cobrem os olhos, para um silente beijo!

