Ponte sobre o Rio Ijuí: debate necessário é contraponto ao alarmismo
O debate em torno das obras da nova ponte sobre o Rio Ijuí é fundamental e legítimo. Em projetos dessa magnitude, é absolutamente normal que surjam imprevistos ou detalhes técnicos que não foram integralmente mapeados nas etapas iniciais. Discutir esses pontos e propor adequações viárias é um sinal de maturidade da comunidade, especialmente quando o objetivo final é garantir a segurança e melhorar o fluxo do trânsito para quem circula entre Santo Ângelo e a região.
Há, contudo, uma linha clara que separa a crítica construtiva e técnica do alarmismo desnecessário. Transformar ajustes de percurso em um cenário de caos serve apenas para desinformar e espalhar o terror na população. Intervenções estruturais desse porte inevitavelmente geram transtornos temporários, desvios e percalços no cotidiano dos motoristas. Não existe fórmula mágica para erguer uma grande obra sem mexer na rotina; o verdadeiro desafio do poder público e das empresas envolvidas reside na capacidade de planejar para minimizar esses impactos.
Nesse cenário, a audiência pública promovida pela Câmara de Vereadores de Santo Ângelo cumpre um papel democrático essencial. Ao abrir espaço para o diálogo aberto entre técnicos, lideranças políticas e a comunidade, o Legislativo joga luz sobre o que realmente importa: encontrar soluções viáveis e transparentes. O futuro da mobilidade regional depende de responsabilidade técnica e debate sério, e não de ruídos que tentam paralisar o progresso.
Faltou sensibilidade ao Daer
A ausência de representantes do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) na audiência pública realizada na última segunda-feira, na Câmara de Vereadores, não é apenas uma falha de agenda; é uma falta de sensibilidade com as demandas locais.
Mesmo com o convite formalizado e confirmado pelo Legislativo, o órgão preferiu o distanciamento. Ao ignorar o chamado, o Daer perdeu a oportunidade de ouvir diretamente quem sofre na ponta com as condições das rodovias e perdeu a chance de dialogar. Esse tipo de postura burocrática e isolada não resolve problemas; pelo contrário, apenas deteriora as relações institucionais e serve para amplificar, com total justiça, o volume das críticas da comunidade.
Infraestrutura se faz com trabalho conjunto e presença. Enquanto o Daer se mantiver encastelado, longe dos debates municipais, as reclamações continuarão crescendo na mesma proporção do abandono das estradas.
Pressão pelo contorno de Catuípe
O aumento expressivo no fluxo de veículos pesados pelas rodovias ERS-218 e ERS-342, ligando Santo Ângelo a Ijuí, trouxe à tona um problema estrutural antigo e escancarou o preço da falta de planejamento. Com a ponte sobre o Rio Ijuí na ERS-344 bloqueada para cargas pesadas, o tráfego foi compulsoriamente desviado para o perímetro urbano de Catuípe. O resultado prático é o esfacelamento rápido da malha viária interna da cidade.
O desvio forçado por Catuípe joga luz sobre a urgente pavimentação do contorno do município, um anel viário de aproximadamente seis quilômetros. Trata-se de uma obra cujo investimento não é vultoso para os cofres. A pressão deve subir e a pavimentação do contorno precisa ser colocada na mesa como compromisso obrigatório para qualquer um que pretenda governar o Rio Grande do Sul.
FABS ainda em pauta
O tema deu uma arrefecida nesta semana por conta da falta do cálculo atuarial que possa fazer o projeto novamente integrar a ordem do dia da Câmara de Vereadores. Mesmo assim, servidores inativos da Prefeitura seguem mobilizados e afirmando que vão seguir na pressão para que a ideia de retirar a contribuição patronal sobre o recolhido deles seja abandonada.
Desalento
O TSE abre campanha para incentivar o voto. O principal incentivo deveria vir dos candidatos, em forma de propostas, de ideias. O “mais do mesmo” da discussão rasa afasta os eleitores. Sem contar que o baixo valor da multa (R$ 3,51) incentiva a desistência de comparecer e depositar sua escolha na urna.
Perguntar não ofende
E a licitação para permuta de terreno e viabilização do novo centro administrativo, cujo projeto foi aprovado em maio?
Só para lembrar
A eleição está tão nivelada por baixo que a expectativa de crescimento das candidaturas está no estrago que escândalos possam provocar no adversário do que no poder de convencimento das suas propostas.
Para refletir
“Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito.”
Aristóteles

