Assine o Jornal das Missões! Clique aqui!
SANTO ÂNGELO
15 de agosto de 2026
Rádio AO VIVO
Opinião

Velha desculpa é soterrada pelo choque de realidade

  • agosto 15, 2026
  • 5 min read

Nos debates da Câmara de Vereadores, a tática de defesa da atual administração municipal já virou clichê: apontar o dedo para os mandatos anteriores e culpar o passado por todas as dificuldades. Os defensores da gestão parecem esquecer que o grupo político hoje no poder passou anos repetindo que tinha soluções prontas para tudo — discurso que convenceu a maioria dos eleitores. Apelar agora para a herança maldita é assinar um atestado de que governar na prática é bem diferente do palanque eletrônico.

A contradição fica ainda mais evidente quando lembramos que, logo após a campanha, o prefeito eleito Nívio Braz declarou publicamente à imprensa local que a transição de governo ocorreu com absoluta transparência e elogiou a clareza das informações recebidas. Portanto, alegar surpresa com a situação financeira ou estrutural do município não se sustenta. Gerir uma cidade no Brasil é, de fato, uma tarefa complexa e cheia de gargalos que fogem ao controle local. No entanto, quem se candidata assume o compromisso de ter capacidade técnica para buscar alternativas, e não para terceirizar responsabilidades. Insistir no ataque aos antecessores é mais do que pobreza de argumento; é provar que a velha máxima do “falar é fácil” continua valendo.

 

Teimosia ideológica ou letargia de planejamento

Enquanto a vizinha Ijuí celebra uma obra com investimento superior a 200 milhões de reais do governo federal, e Santa Rosa comemora a chegada de mais de 60 milhões de reais em recursos da União, Santo Ângelo assiste ao avanço dos municípios vizinhos em um incômodo silêncio financeiro.

Diante desse cenário de disparidade regional, a pergunta que o cidadão santo-angelense deve se fazer é inevitável: por que a nossa cidade ficou para trás na captação desses recursos? O município não busca verbas federais apenas e tão somente por “teimosia ideológica” da atual gestão em articular com o governo central, ou a verdadeira razão é a incapacidade técnica e a falta de projetos consistentes para aprovação? Até quando o partidarismo ou a letargia do planejamento vão custar o desenvolvimento que Santo Ângelo tanto precisa?

 

Tragédia e falha oculta da rede de proteção

A morte da mãe, do filho adolescente e o ferimento de duas crianças dentro de casa, em Santo Ângelo, não é apenas uma tragédia familiar. É o sintoma de um sistema que falha em silêncio. A descoberta de que essa família vivia sem água e sem luz por falta de pagamento levanta questões urgentes: a vulnerabilidade extrema dessas pessoas chegou ao conhecimento da assistência social? Se chegou, por que a resposta não veio a tempo de evitar o pior?

É fácil e covarde apontar o dedo para a mãe ou culpar os indivíduos pela sua própria miséria, ignorando a responsabilidade igualitária dos pais e o dever do Estado. O cidadão comum desconhece como funciona a rede de atendimento na prática. Quando os serviços básicos de sobrevivência são cortados, o alerta deveria ser automático entre os órgãos de proteção. A população precisa de respostas claras sobre o fluxo de atendimento, pois o debate agora não é apenas sobre o que aconteceu, mas sobre o que deixou de ser feito para proteger essas crianças.

 

Crítica e contradição

As cobranças do vereador Nivaldo Langer de Moura, o Nêne (PP), na última sessão da Câmara, expõem uma ferida aberta na articulação política de Santo Ângelo, mas também revelam o tamanho da incoerência que dita os discursos no parlamento. Ao exigir uma definição do MDB — que ocupa quatro secretarias na gestão municipal, mas abriga opositores ferrenhos como o vereador Márcio Antunes —, Nêne aponta uma contradição real.

O problema é que, ao estender a sua crítica ao plano estadual para atacar o governo gaúcho e o seu vice-governador emedebista, o parlamentar progressista acabou tropeçando nas próprias pernas políticas. Nêne parece esquecer que o seu partido, o PP, esteve integrado a essa mesma gestão estadual até bem pouco tempo. Se o governo do Estado falha tanto quanto o vereador agora aponta, qual é a razão dos membros do PP não terem denunciado esses problemas enquanto ocupavam cargos e secretarias na estrutura do Piratini?

 

Perguntar não ofende

Os primeiros debates entre os postulantes ao Palácio Piratini mostraram um roteiro já muito conhecido, tratando do passado de forma insistente. E o futuro? O que projetam para o Estado? É isso que importa.

 

Só para lembrar

A campanha eleitoral começa neste domingo (16). Como ocorre nos últimos anos, campanhas curtas, mas muito caras, basta ver os R$ 4,9 bilhões do fundão eleitoral. É a lógica contrariada. As pessoas deveriam ter tempo para analisar, refletir e decidir e não apenas com base no dinheiro.

 

Para refletir

“Conquistar o mundo a cavalo é fácil; desmontar e governar é que é difícil”.

Genghis Khan

About Author

HOGUE

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *