O gol do eleitor
Encerrada a Copa do Mundo, o Brasil faz o tradicional balanço de sua participação sofrível. Na alegoria das mesas de bar, se o povo tivesse participado da convocação, o resultado seria outro.
À torcida, porém, é reservado o direito de apoiar, criticar, comemorar ou lamentar o resultado.
O jogo é diferente na democracia.
Em breve, o Brasil iniciará outro campeonato, talvez o mais importante de todos. Nele, o povo não ocupa apenas as arquibancadas. É também quem define parte do time que representará a nação, escolhendo pelas urnas os integrantes do Poder Legislativo e os responsáveis pela condução do Poder Executivo, nos âmbitos federal e estadual.
O grande gol do cidadão não acontecerá dentro da área adversária, mas diante da urna eletrônica, quando o eleitor transforma expectativa em decisão, esperança em responsabilidade e participação em democracia.
Como em qualquer competição, não basta vestir a camisa. É preciso conhecer os jogadores,avaliar suas trajetórias, suas propostas, sua capacidade de diálogo e seu compromisso com a ética, com as instituições e com o interesse público.
O voto consciente é o melhor treinador da democracia.
Os desafios que aguardam os próximos governantes e parlamentares são numerosos. Há questões internas que exigem soluções responsáveis: crescimento econômico, educação, saúde, segurança, infraestrutura, equilíbrio das contas públicas e redução das desigualdades.
Ao mesmo tempo, o mundo impõe desafios externos cada vez mais complexos, como transformações tecnológicas, disputas comerciais, mudanças climáticas e um cenário internacional em constante mudança.
Se no futebol um gol pode decidir uma Copa, na democracia um voto ajuda a decidir os rumos de uma geração. O apito final do Mundial já ecoou. Agora, a bola está aos pés de cada eleitor.
Não há arquibancada para quem vive em uma República: todos entram em campo. E, ao contrário do futebol, o resultado dependerá, antes de tudo, das escolhas que fizermos antes do primeiro minuto de jogo.

