Perícia confirma lesões e indícios de tortura em irmãos de menino morto pelo pai; polícia diz que pais mandavam esconder marcas

A perícia física confirmou que dois dos irmãos de Oliver Golden Grayson, menino de três anos morto após ser espancado pelo pai em Viamão, na Região Metropolitana, também sofreram agressões. Segundo a Polícia Civil, os exames apontaram lesões recentes e cicatrizes antigas nas crianças, que têm sete e nove anos.
O pai deles, o missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, que confessou as agressões contra Oliver, está preso desde 5 de julho. A mãe, Mayanna Rodgers, foi presa preventivamente no dia 9 de julho. Os quatro irmãos da vítima seguem em um abrigo.
Até o momento, 11 testemunhas foram ouvidas e a previsão de conclusão do inquérito é início de agosto. A delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, afirmou que os pais orientavam os filhos a esconder os machucados. As crianças usariam roupas compridas e seriam instruídas a inventar histórias para justificar as marcas pelo corpo.
A polícia também analisou a estrutura da residência da família. O local é uma casa de madeira pequena, sem portas, onde a divisão dos cômodos era feita apenas por panos. Conforme a delegada, a configuração do espaço indica que não haveria como os gritos do menino não serem ouvidos durante o espancamento.
A investigação apura a conduta da mãe e avalia, por meio de perícias psíquicas que ainda serão realizadas com as crianças, se ela foi apenas omissa em relação à morte e às agressões ou se também praticava as torturas. Em um inquérito separado, a Polícia Civil investiga indícios de que Mayanna sofria violência física e psicológica do marido.
As polícias civis de Santa Catarina e de São Paulo enviaram cópias de ocorrências que apontam indícios de maus-tratos cometidos pela família nesses Estados entre 2024 e 2025. A Polícia Federal (PF) e a Interpol também foram acionadas para verificar os antecedentes dos estrangeiros e a situação legal da família no Brasil. A polícia investiga possíveis falhas na rede de proteção de Viamão, onde a família morava, para esclarecer quais medidas foram adotadas diante dos sinais de maus-tratos.
Fonte: GZH

