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SANTO ÂNGELO
18 de julho de 2026
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Opinião

Colocação de pronomes oblíquos

  • julho 18, 2026
  • 3 min read

Lição para recordar este estudo feito nas classes escolares em tempos  retirados ou recentes: colocação de pronomes pessoais oblíquos nas frases faladas e escritas. Pronomes pessoais oblíquos: me, te, se, lhe, nos, vos, o, a, os, as, mim, ti, si. Tirante os três últimos, os demais podem ocupar, conforme as lições gramaticais de colocação deles nas frases, três posições: antes do verbo conjugado (próclise – agora me lembro), no meio do verbo conjugado (mesóclise – lembrar-me-ei ) e depois do verbo conjugado (ênclise – lembrei-me). As gramáticas apresentam mais regras – chegam no geral a mais de quinze  – sobre o quando usar próclise do que quando usar mesóclise e ênclise.

Posto isso, e como prenunciado no sábado passado aqui, vem Evanildo Bechara com a Moderna Gramática Portuguesa explicar o porquê da colocação proclítica nesta frase do cronista aqui citada na coluna anterior, hoje repetida: “Como agora apresentar-te-ás ao aniversário de casamento de sua amiga pela qual guarda tanto prestígio?” Como bem se observa, “apresentar-te-ás” está em mesóclise, quando deveria e deve estar em próclise. Por quê? Bechara, à página 589 da gramática acima apresentada, explica deste modo: Não se pospõe ou intercala pronome átono a verbo flexionado em oração iniciada por palavra interrogativa ou exclamativa. Convém um mínimo de reforço explicativo sobre o que Bechara acabou de dizer: “não se pospõe” é sinônimo de ênclise; “ou intercala” é sinônimo de mesóclise.

Bechara, logo depois da explicação, comprova-a com estas três frases: Quantos lhe dá? Quem me explicará a razão dessa diferença? Como te perseguem! Como se pode observar, as duas primeiras frases são interrogativas e exigiram e exigem próclise; a terceira frase é exclamativa e exigiu e exige próclise. De mais a mais, a primeira frase tem verbo no presente do indicativo; a segunda, no futuro do presente do indicativo. Vendo o visto, como a frase do cronista é interrogativa e tem pronome oblíquo intercalado, ou seja, na forma de mesóclise no futuro do presente do indicativo, apresenta erro de colocação pronominal, cujo pronome deve saltar fora e ficar antes do verbo, na forma de próclise, portanto, escrita assim: “Como agora te apresentarás ao aniversário de casamento de tua amiga pela qual guarda tanto prestígio?”

Assim, estes três chasques: primeiro, no lugar de sua fica tua; segundo, agora, advérbio, também exige próclise; terceiro, compensa ter, estudar e reestudar a Moderna Gramática Portuguesa (edição revista e ampliada, 672 páginas), de Evanildo Bechara. Entre os renomados gramáticos brasileiros, ele.

 

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Artur Hamerski

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