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SANTO ÂNGELO
18 de julho de 2026
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Opinião

O bom senso que atravessa a ponte

  • julho 18, 2026
  • 6 min read
O bom senso que atravessa a ponte

O início de uma grande intervenção viária sempre conta com as vantagens e certos inconvenientes. Na última segunda-feira, quando o sistema “pare e siga” foi ativado na ponte sobre o Rio Ijuí, na ERS-344, as filas passaram a gerar comentários e alguns inflaram o tom. Diante das primeiras retenções, não demorou para que surgissem discursos alarmistas, pintando um cenário de isolamento que, na prática, não condiz com a realidade.

É evidente que qualquer alteração no fluxo de uma rodovia tão vital quanto a nossa traz algum nível de inconveniência. No entanto, há uma distância abissal entre o natural ajuste de rotina e a criação de uma percepção de caos que só serve para prejudicar o cotidiano e a economia. Afinal, Santo Ângelo é um polo comercial, de serviços e de saúde que é, não pode ter seu dinamismo econômico sufocado por informações distorcidas que acabam afugentando o consumidor regional.

O sistema “pare e siga” não é uma novidade exótica e muito menos sinônimo de colapso. Ele é o modelo padrão utilizado em vários locais. Exemplo disso é a ponte sobre o Rio Ibicuí, em Itaqui, que há muitos anos funciona assim.

Vale lembrar que é uma operação temporária, necessária para viabilizar algo que todos cobravam há anos: a modernização de uma estrutura essencial para a nossa segurança.

 

Impacto contornável

Os fatos, quando observados sem o filtro do imediatismo, mostram que o impacto é perfeitamente contornável. O amigo Jairo Fernandes da Silva, o “Jairo Baterias”, contou que nesta semana, por exemplo, um representante comercial relatou uma experiência prática que ajuda a colocar as coisas em perspectiva: ele levou cerca de sete minutos para atravessar a estrutura na ida e, no retorno, o tempo de parada foi de aproximadamente oito minutos.

Estamos falando de uma espera que mal ultrapassa o tempo de um semáforo de cruzamento congestionado em grandes centros. Justifica-se, por causa de sete ou oito minutos, deixar de fazer negócios, de realizar consultas médicas ou de consumir no comércio de Santo Ângelo? Certamente não.

O momento exige uma postura de colaboração e de equilíbrio. Apresentar rotas alternativas é papel do jornalismo responsável, assim como cobrar agilidade da empresa executora. Mas o alarmismo desnecessário é um desserviço que custa caro ao bolso do comerciante, do prestador de serviços e do próprio cidadão.

 

Mais sinalização indicando o Aeroporto é uma necessidade

O alerta veio de um cidadão de Ijuí, que costuma vir a Santo Ângelo para usar os serviços do Aeroporto Regional. Segundo ele, pela ERSs 342 e 218, faltam placas indicativas sobre a localização do Aeroporto Regional de Santo Ângelo.

Recentemente, transitei pelo trecho, mas não reparei. De repente, porque justamente faltam indicações mais acentuadas. Com o movimento registro, os esforços que estão sendo feitos para dotar o Aeroporto Regional de uma estrutura ainda maior, consolidando a referência regional, pode estar mesmo faltando sinalização mais evidente.

Sendo assim, que o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER) e as lideranças políticas locais unam forças para corrigir essa lacuna. Instalar placas indicativas modernas e visíveis não é um luxo, mas uma necessidade básica de infraestrutura que deve ir além das ERSs 342 e 218, abrangendo todas as principais rodovias que convergem para Santo Ângelo.

 

Humilde e competente, Paulo Henrique é destaque na Série D

No futebol, costuma-se dizer que o sucesso é um visitante caprichoso, que aparece sem avisar e vai embora sem dar explicações. No entanto, quem acompanha de perto a trajetória do esporte no interior do Rio Grande do Sul sabe que existem profissionais para os quais o êxito não é obra do acaso, mas sim o resultado inevitável de anos de trabalho sério, pés no chão e busca incessante por evolução. É exatamente esse o caso de Paulo Henrique Marques.

Quem hoje assiste à belíssima campanha que o São Luiz de Ijuí realiza na Série D do Campeonato Brasileiro enxerga um time competitivo, organizado e valente. Mas, para nós, a engrenagem por trás desse sucesso tem uma assinatura muito familiar. Paulo Henrique é patrimônio do nosso futebol: foi jogador, comandou os juniores e deu seus primeiros passos como técnico profissional justamente vestindo as cores do Santo Ângelo, no rastro do pai, o saudoso Adão Marques, que tantos jogadores revelou para o clube.

Desde aquela primeira oportunidade no vestiário do Santo Ângelo, lá em 2002, ele já demonstrava as virtudes que o consagrariam. Paulo Henrique sempre foi um técnico observador, atento aos detalhes táticos, despido de vaidades e sem qualquer melindre para trocar ideias com colegas, atletas e imprensa. Sua carreira foi pavimentada degrau por degrau, do trabalho silencioso em clubes de menor expressão até a consolidação nos principais palcos do interior gaúcho.

 

Acesso viável

O que ele está fazendo em Ijuí neste ano é histórico. Além de ter erguido a Taça Farroupilha — garantindo o Rubro na milionária Copa do Brasil do ano que vem —, Paulo Henrique levou o São Luiz à quarta fase da Série D, carimbando de antemão a vaga do clube no cenário nacional em 2027. Agora, o time está a apenas quatro partidas de um inédito e sonhado acesso à Série C.

Sabemos que o próximo passo não será fácil. O adversário da vez é o CSA, clube tradicional de Alagoas que, não faz muito tempo, mostrou sua força ao desclassificar o Grêmio da Copa do Brasil. O abismo financeiro entre as folhas de pagamento é real. No entanto, o São Luiz segue firme na briga com um dos menores orçamentos da competição, sustentado pela competência cirúrgica de seu treinador na montagem do elenco e na leitura de jogo.

 

Perguntar não ofende

Não foi feita defesa da indústria nacional contra o tarifaço norte-americano. Senador ficou apenas no pedido do adiamento das sanções para não atrapalhar seu plano político. Que patriotismo é esse?

 

Só para lembrar

Administração do Piti Werle, de São Luiz Gonzaga, concedeu reajuste de 7% aos servidores municipais. Não é reposição. É reajuste, com aumento real de 2,74% aos servidores públicos.

 

Para refletir

“A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo”.

Vladimir Maiakovski

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