
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) anunciou nesta terça-feira (14) o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%. A intenção do governo, além de reduzir a dependência do petróleo importado, é baratear o custo do combustível na bomba.
Após novas trocas de ataques entre Estados Unidos e Irã e a ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz mais uma vez, o preço do petróleo disparou a US$ 86 o barril nesta terça-feira. Em agosto de 2025, o Brasil já havia ampliado a mistura de etanol de 27% para 30%.
O aumento terá vigência de 180 dias, com possibilidade de prorrogação, uma única vez, por igual período. “A atualização do teor da mistura vai fazer com que o País deixe de importar 900 milhões de litros de gasolina por ano”, afirmou o Ministério de Minas e Energia em nota.
A pasta também afirma que a mistura não apresenta impactos relevantes no funcionamento de veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex. “No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso”, diz o comunicado.
O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), André Braz, vê com cautela o efeito do aumento da mistura no preço final pago pelos motoristas. Para o especialista, a medida tende a ter “um efeito baixista sobre o preço da gasolina”, mas não deve ser muito expressivo no IPCA, que é o índice oficial da inflação no país.
— A lógica é simples: se o etanol anidro estiver mais barato do que a gasolina pura, aumentar a participação dele na mistura reduz um pouco o custo final do combustível. Como estamos falando de uma mudança de apenas dois pontos percentuais na composição da gasolina, o efeito esperado é pequeno, provavelmente mais perceptível na margem do que como uma grande queda nas bombas.
Para a inflação geral ao consumidor, portanto, o impacto deve ser limitado. Pode aliviar o peso da gasolina no IPCA, mas não mudar o quadro inflacionário. Especialmente, lembra Braz, porque o preço final depende de fatores mais fortes como atuação da Petrobras, câmbio, petróleo, margens de distribuição e revenda, impostos e a própria oferta de etanol.
Fonte: GZH

