Flávio Bolsonaro pede aos EUA adiamento de tarifas sobre produtos brasileiro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) um pedido para adiar por 180 dias a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Na prática, a proposta é que a cobrança de uma taxa de 25% seja postergada para depois das eleições presidenciais no Brasil.
No documento, de 86 páginas, encaminhado nesta quarta-feira (1º), o parlamentar afirma que as tarifas impostas anteriormente pelos Estados Unidos não produziram os efeitos esperados e acabaram fortalecendo politicamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Flávio, o governo brasileiro tem utilizado as medidas tarifárias para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional, o que, na avaliação do senador, gerou ganhos políticos ao Palácio do Planalto.
O senador também argumenta que a manutenção das tarifas pode prejudicar tanto a economia brasileira quanto a norte-americana. Entre os pontos apresentados, ele destaca que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil, que empresas americanas são grandes investidoras no país e que eventuais retaliações podem afetar exportadores e consumidores dos dois lados.
Como alternativa, Flávio defende a suspensão das tarifas por 180 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 90 dias caso haja avanço nas negociações entre os dois países. Segundo ele, esse período permitiria a retomada do diálogo sem interferência do calendário eleitoral brasileiro.
O pedido foi apresentado no contexto da investigação aberta pelos Estados Unidos com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que analisa possíveis práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. A investigação envolve temas como comércio digital, tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.
Enquanto isso, o governo brasileiro também encaminhou uma resposta às autoridades norte-americanas. Em documento assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o Brasil afirma que não há comprovação de que políticas ou práticas brasileiras sejam discriminatórias ou imponham barreiras ao comércio dos Estados Unidos.
Segundo o governo federal, um grupo de trabalho formado por representantes da área econômica, diplomática e política já participou de quatro rodadas de negociação com autoridades norte-americanas para discutir o tema. A reunião mais recente ocorreu nesta quinta-feira (2).

