Arma de Bolsonaro apreendida com militar foi inutilizada com aval de Michelle, aponta investigação

A arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, apreendida durante uma abordagem da Polícia Civil do Distrito Federal, estava temporariamente inutilizada por decisão da equipe de segurança. Segundo informações da investigação, a medida contou com o aval da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O armamento era transportado pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro. Após prestar depoimento, ele foi liberado.
De acordo com relatos de pessoas que tiveram acesso à investigação, o militar afirmou que levava a arma para realizar um conserto a pedido do ex-presidente. O equipamento estava sem o percussor, peça responsável por acionar o disparo.
Ainda segundo a investigação, a retirada do percussor foi uma decisão da equipe de segurança devido à grande quantidade de medicamentos utilizados por Bolsonaro. A medida teria sido adotada em conjunto com familiares e autorizada por Michelle Bolsonaro.
Os relatos indicam que a decisão ocorreu no período em que Bolsonaro teria tentado retirar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. Na ocasião, o ex-presidente afirmou ter sofrido alucinações e um quadro de paranoia, que atribuiu ao uso de medicamentos. Diante da situação, a equipe de segurança reforçou os cuidados com sua integridade física.
Segundo o depoimento do militar, o percussor foi recolocado após o conserto da arma. No entanto, ele afirmou que só devolveria o armamento com autorização de Michelle Bolsonaro. Como ela não estava presente, decidiu levar a arma para casa, onde faria a manutenção antes de entregá-la ao ex-presidente.

