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SANTO ÂNGELO
19 de junho de 2026
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Agro

Quebra na safra de soja deixa prejuízo de R$ 83,9 milhões em Santo Ângelo

  • junho 19, 2026
  • 3 min read
Quebra na safra de soja deixa prejuízo de R$ 83,9 milhões em Santo Ângelo

Os reflexos da instabilidade climática na safra de verão foram consolidados em Santo Ângelo. Os membros da Comissão Municipal de Estatísticas Agropecuárias (Comea) fecharam os números finais do ciclo, confirmando uma produtividade média de 2,1 mil quilos de soja por hectare — o equivalente a apenas 35 sacas por hectare. O rendimento ficou 36,3% abaixo do potencial inicialmente projetado para o município.

De acordo com o engenheiro agrônomo Álvaro Uggeri Rodrigues, do escritório local da Emater/RS-Ascar, a expectativa inicial era colher 3,3 mil quilos por hectare (55 sacas/ha). O profissional destaca que o comportamento das lavouras foi marcado por uma extrema disparidade dentro do próprio território do município, reflexo da irregularidade das chuvas.

“Para se ter uma ideia, teve produtor que colheu oito sacas por hectare e outro que alcançou 66 sacas/ha dentro de Santo Ângelo”, pontua Rodrigues.
Entre as regiões mais severamente afetadas pela falta de umidade, o agrônomo aponta a localidade de Colônia Municipal como uma das que registraram os piores índices de produtividade.

IMPACTO FINANCEIRO

Considerando que Santo Ângelo cultivou 36,8 mil hectares de soja nesta temporada, a perda média de 20 sacas por hectare em relação ao potencial da cultura representa um volume expressivo que deixou de entrar na economia local.
Com base na cotação média da oleaginosa fixada em R$ 114,00 por saca de 60 quilos, o prejuízo estimado para o setor agropecuário do município atinge a cifra de R$ 83,9 milhões. O montante impacta diretamente o poder de reinvestimento do produtor e o comércio regional.

Safra de inverno: Canola ganha o espaço deixado pelo trigo

Com as atenções voltadas para o ciclo de inverno, o cenário econômico e as previsões climáticas já desenham mudanças no mapa de cultivo de Santo Ângelo. A área destinada ao trigo sofrerá uma redução de 500 hectares, caindo para um total de 7,5 mil hectares nesta temporada. No caminho inverso, a canola registrou crescimento de 500 hectares, alcançando uma área total de 2,5 mil hectares.

De acordo com a Emater, a migração de culturas é justificada pelo desempenho recente. A canola tem entregado resultados financeiros e produtivos superiores aos do trigo nos últimos anos.

Rodrigues explica que o desinteresse pelo trigo é reflexo de uma combinação de fatores de mercado e riscos climáticos. O primeiro são os preços baixos e custos altos, pois a conta do cereal tem fechado no limite ou no vermelho para o agricultor. Também tem o fator El Niño, com a previsão de ocorrência do fenômeno meteorológico eleva o risco de chuvas excessivas no período de colheita do trigo, o que ameaça a qualidade do grão.

Outro entrave é o crédito restrito, com uma situação estrutural de endividamento na bacia leiteira e agrícola, o que dificulta o acesso a novos créditos de custeio e faz o produtor repensar os investimentos de alto risco.

Redação Grupo Missões 

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Lara Santos

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