Assine o Jornal das Missões! Clique aqui!
SANTO ÂNGELO
10 de junho de 2026
Rádio AO VIVO
Estado

Mulher que fingia ser adolescente foi diagnosticada com ‘transtorno factício e pseudologia fantástica’ em 2022

  • junho 10, 2026
  • 3 min read
Mulher que fingia ser adolescente foi diagnosticada com ‘transtorno factício e pseudologia fantástica’ em 2022

A mulher que ficou conhecida por se passar por uma adolescente e mobilizar conselhos tutelares, hospitais, famílias e órgãos públicos em diferentes estados brasileiros teve ao menos três diagnósticos psiquiátricos mencionados em documentos da Justiça do Rio Grande do Sul.

Um processo criminal movido pelo Ministério Público do Estado em 2022 contra Amanda Maria Souza de Oliveira aponta registros de transtorno factício, pseudologia fantástica e, posteriormente, transtorno de personalidade borderline.

Segundo a denúncia, Amanda se apresentava como uma menina de 11 ou 12 anos, usando o nome Gabrielly da Silva Ferreira. Com essa identidade, conseguiu acolhimento em residências, instituições religiosas e serviços de proteção destinados a crianças e adolescentes.

Documentos obtidos pela RBS TV mostram que ela recebeu atendimento psiquiátrico no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas. Conforme parecer anexado ao processo, os profissionais identificaram transtorno factício e pseudologia fantástica, além de comportamento considerado manipulador, que teria mobilizado diversos órgãos públicos, como promotorias, forças policiais e serviços de assistência social e saúde.

Especialistas explicam que o transtorno factício é caracterizado pela simulação ou falsificação de sintomas físicos e psicológicos, sem ganhos materiais evidentes, geralmente motivado pela busca de atenção e cuidados.

O processo também relata que profissionais do hospital passaram a desconfiar da idade informada por Amanda e encontraram registros de um caso semelhante descrito em estudos acadêmicos. Após contato com pesquisadores, a suspeita de que se tratava da mesma pessoa foi confirmada.

Em uma avaliação posterior realizada pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP), Amanda recebeu diagnóstico de transtorno de personalidade borderline. O laudo descreve um quadro marcado por instabilidade emocional, dificuldades nos relacionamentos interpessoais e medo intenso de abandono.

Segundo especialistas, os dois transtornos podem ocorrer simultaneamente, já que a busca por atenção e acolhimento pode estar relacionada às características emocionais presentes no borderline.

Com base na perícia, o IGP concluiu que Amanda apresentava capacidade parcialmente reduzida para compreender plenamente o caráter ilícito de suas condutas no período investigado.

Em razão do processo, ela chegou a permanecer cerca de seis meses presa no Rio Grande do Sul. A ação penal havia sido suspensa porque ela não foi localizada após deixar o sistema prisional. Com a recente prisão em Santa Catarina, o Ministério Público solicitou a retomada da tramitação do caso.

About Author

Carolina Gomes

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *