Flávio Bolsonaro divulga carta enviada a Rubio contra nova proposta dos EUA de tarifas ao Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, enviou um ofício ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, manifestando preocupação com a possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
No documento, redigido em inglês e divulgado à imprensa, o parlamentar argumenta que o Brasil enfrenta um cenário econômico delicado, marcado por elevado endividamento público e dificuldades financeiras enfrentadas por cidadãos e empresas.
Flávio afirma que a dívida pública brasileira supera 80% do Produto Interno Bruto (PIB) e alerta que a adoção de novas barreiras comerciais pode gerar impactos negativos para a população e para a atividade econômica do país.
Diante desse cenário, o senador solicita que o governo norte-americano não implemente as tarifas recomendadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.
No mesmo documento, Flávio Bolsonaro também agradece a decisão das autoridades americanas de incluir as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de organizações classificadas como grupos terroristas.
A manifestação ocorre em meio às discussões sobre possíveis medidas comerciais envolvendo Brasil e Estados Unidos e ao fortalecimento da cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Veja abaixo a tradução da carta:
Prezado Secretário Rubio,
Escrevo, antes de tudo, para agradecer a cordialidade com que fui recebido durante minha recente visita a Washington. Nossa conversa reforçou minha convicção de que a amizade entre nossas duas nações se baseia em valores compartilhados e em uma visão comum para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental.
Sou especialmente grato por sua decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. Essas duas facções estão entre os empreendimentos criminosos mais violentos do Brasil, e suas redes de drogas, armas e dinheiro se estendem muito além de nossas fronteiras — alcançando também o seu país. A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, ainda que ela não tenha agradado ao nosso governo atual. Trata-se de um passo decisivo para proteger os cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado.
Escrevo também, contudo, para manifestar minha preocupação com a recente determinação da Seção 301 anunciada pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Embora eu compreenda que nenhuma tarifa tenha sido imposta até o momento — a determinação apenas inicia um processo de consulta pública e etapas técnicas que culminarão em um prazo legal em julho — considero meu dever compartilhar com o senhor as reais condições econômicas enfrentadas pelo povo brasileiro neste momento.
O Brasil vive um grave processo de deterioração fiscal e econômica. Nossa dívida bruta do governo geral ultrapassou agora 80% do PIB pela primeira vez desde a pandemia, alcançando R$ 10,4 trilhões em abril — e as projeções de mercado apontam para um recorde de 83,7% até o fim do ano. As contas públicas continuam registrando déficit primário, enquanto os pagamentos de juros da dívida atingiram níveis recordes. O peso sobre as famílias comuns é ainda mais alarmante: um recorde de 81,7 milhões de brasileiros está atualmente inadimplente — quase metade da população adulta —, com os compromissos financeiros consumindo uma parcela sem precedentes da renda familiar. No setor empresarial, as recuperações judiciais — equivalentes brasileiras ao Chapter 11 dos Estados Unidos — dispararam para um recorde histórico de 2.466 empresas em 2025, enquanto 8,7 milhões de contribuintes empresariais estavam inadimplentes no início de 2026. Cada um desses números representa um recorde histórico.

