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SANTO ÂNGELO
30 de maio de 2026
Rádio AO VIVO
Opinião

Sempre ela

  • maio 30, 2026
  • 2 min read

Entre turvo e torto, o dia amanhecera com cara de sonâmbulo, desses, de não deixar saudade, aliás, daqueles de dar vontade de pegar pela cauda e rodear três vezes no ar e atirar o mais distante possível, com intuito de jamais vê-lo outra vez, tamanha era a lasqueira, de disser-se – suma da minha frente!
No entreposto entre coxilha e canhada, havia um estranho visual de tristeza relutante, porque, na verdade, parecia pretender sorrir a contragosto das carrancas, próprias dos partidários de malsemeares, sempre espreitados e contíguos da luz, beleza, benquerença, dos devaneios, das serestas e dos seresteiros.
Em outras feitas, os dias postos – sonâmbulos, rasgaram minha paz e fizeram-me tropeçar nos toscos e ofuscantes cadafalsos de cada ribanceira, estaqueada diante de alguma sanga, essa sim, com ares de moça em flor, soltando pipas de felicidade, nos arrebóis das campinas desmedidamente felizes, pudera, a estupefação levou aos ares, na plenitude, e o que fora, malquerença, tomou outro destino no beco da encruzilhada, ensejando…
…ensejando empatia com o turvo, o torto, o sonâmbulo, por via de consequência, transferir-me a outro estado, que não, o da indesejada letargia, saltitei ao ver réstias enfeixadas de douradilhos solares, sempre aconchegantes, por vistosos, alegres, inebriantes, trazendo robustos sentimentos de esperanças, na luminescência das franjas solares.
Tropeçar sim, cair também, porém, a vida exige hastear bandeira e elevar a fronte em busca das vitórias e conquistas capazes de sobrevoar dificuldades, impondo, um novo amanhecer, não apenas nos inóspitos sertões, em especial, no cerne da essência dos humanos fraquejados.
Convenhamos, num dia destes, pescar era desejável e a própria natureza recomendava, e o entardecer, efetivamente, convidava para estender uma linha num pesqueiro qualquer, embora a solidão, confabular com as águas faria feliz, entre corridas da linha pelos peixes, eis que sobre o morro sem fim, ela deita um espetáculo maravilhoso, veio serena e altruísta, na cauda, trouxe uma doooouce calmaria, em ato estanque, de que importa a pescaria, o que tem importância real, é o charminho da Lua e seus encantos, ela, sempre ela, amamentando as estrelas!

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Renato Schorr

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