Vítima de feminicídio em Santo Ângelo tinha histórico de medidas protetivas; suspeito segue foragido

A vítima do feminicídio registrado na noite de domingo (24), em Santo Ângelo, mantinha um relacionamento havia mais de 12 anos com o suspeito do crime, Tiago Gomes da Silva, de 33 anos. Segundo a Delegada Elaine Maria da Silva, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), o casal possuía um histórico de violência doméstica e Marines Rodrigues, de 40 anos, chegou a ter medidas protetivas contra o companheiro.
O crime aconteceu por volta das 20h50min, na Rua 13 de Maio, no bairro Santa Bárbara. De acordo com a delegada, a vítima sofreu mais de 10 facadas em uma cena descrita como “macabra”. O ataque ocorreu após o casal retornar de um passeio. O desentendimento teria começado com uma discussão que escalou rapidamente devido à agressividade do companheiro, possivelmente potencializada pelo consumo de álcool, conforme relatou a delegada. A mãe da vítima, ao perceber as agressões, buscou ajuda de familiares.
Andréia de Souza da Fonseca, sobrinha de Marines, tentou intervir para salvar a tia, mas acabou ferida. Ela relatou que encontrou o agressor em cima da vítima, prensando-a contra a parede com uma faca. Ao tentar puxá-lo, Andréia foi atingida por um golpe no tórax, mas sobreviveu após ser socorrida pelo marido. O suspeito fugiu logo em seguida, possivelmente por uma área de mata nos fundos da residência.
A investigação revelou que o casal mantinha um relacionamento conturbado, marcado por ciúmes e ameaças. Marines já havia solicitado medidas protetivas anteriormente e era acompanhada pela Patrulha Maria da Penha. No entanto, a proteção foi revogada no último dia 19 de maio, a pedido da própria vítima.
Segundo a delegada Elaine Maria da Silva, esse comportamento é comum em ciclos de violência doméstica, onde as vítimas retiram as queixas após promessas de mudança. “A medida protetiva é bastante eficaz… a maior parte das vítimas de feminicídio, no momento que morrem, elas não estão amparadas por medidas porque não buscaram ou pediram a revogação”, alertou.
O suspeito Tiago Gomes da Silva, que possui antecedentes por homicídio, roubo, ameaça e desobediência, é considerado foragido. A Justiça já expediu o mandado de prisão preventiva e a Brigada Militar realiza buscas na região.
O crime foi presenciado pela filha do casal, de 12 anos, que chegou ao local com o irmão logo após a consumação do ato. Marines, que trabalhava no Hospital Regional das Missões, deixa três filhos. A faca utilizada no crime foi localizada no pátio da residência com vestígios de sangue e encaminhada para perícia.
Segundo uma familiar da vítima ouvida pela reportagem do Grupo Missões, a família busca por justiça. “Tivemos nossa família destruída”, afirmou.
Redação do Grupo Missões de Comunicação com informações da DEAM

