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SANTO ÂNGELO
18 de maio de 2026
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Clima

El Niño pode chegar antes do previsto e aumentar risco de chuva no Rio Grande do Sul

  • maio 18, 2026
  • 4 min read
El Niño pode chegar antes do previsto e aumentar risco de chuva no Rio Grande do Sul

O fenômeno climático El Niño deve se formar antes do previsto inicialmente, segundo meteorologistas e órgãos internacionais de monitoramento. A antecipação pode acelerar também o aumento das chuvas no Rio Grande do Sul, cenário historicamente associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico.

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) elevou de 61% para 82% a probabilidade de consolidação do fenômeno entre maio e julho. O órgão também aumentou o risco de um episódio classificado como “muito forte”, impulsionado pelo rápido aquecimento das águas do Pacífico e pelas altas temperaturas registradas abaixo da superfície do oceano.

De acordo com a meteorologista Cátia Valente, da Climatempo e do Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Estado, o aquecimento ocorre em ritmo acelerado.

— O Pacífico está aquecendo rapidamente. A tendência é que no fim de maio ou início de junho já tenhamos a formação do El Niño — afirma.

A meteorologista Natália Pereira, sócia-diretora da Catavento Meteorologia, explica que a mudança nas projeções ocorreu devido ao comportamento recente do oceano. Na região central do Pacífico, usada como referência para classificar o fenômeno, a temperatura já está 0,4°C acima da média — muito próxima do limite de 0,5°C que caracteriza oficialmente o El Niño.

Já na área próxima à costa do Peru, houve aumento mais intenso: a anomalia térmica passou de 0,7°C para 1°C acima do normal em poucos dias.

— Essa água mais quente se desloca em direção ao centro do oceano. Por isso, a NOAA pode confirmar oficialmente o fenôeno já nas próximas semanas — avalia Natália.

Possibilidade de evento forte aumenta

As projeções mais recentes da NOAA também apontam crescimento no risco de um El Niño forte ou muito forte no fim do ano. A chance de um evento “muito forte”, caracterizado por temperaturas ao menos 2°C acima da média, subiu de 25% para 37%.

Somadas as categorias “forte” e “muito forte”, a probabilidade chega agora a 67% entre novembro deste ano e janeiro de 2027.

Probabilidade estimada do El Niño entre novembro e janeiro:

  • Neutro: 2%
  • Fraco: 9%
  • Moderado: 22%
  • Forte: 30%
  • Muito forte: 37%

Especialistas apontam que o aquecimento acelerado das águas e as mudanças recentes nos ventos sobre o Pacífico favorecem a consolidação do fenômeno.

Outro fator observado é a temperatura elevada abaixo da superfície do oceano, que em alguns pontos chega a cerca de 6°C acima da média.

— As águas profundas mais quentes ajudam a manter o oceano aquecido por mais tempo, e elas estão muito acima do normal — explica Cátia Valente.

Previsões ainda exigem cautela

Apesar das projeções mais elevadas, meteorologistas alertam que ainda é cedo para confirmar um episódio extremo no segundo semestre.

— Ainda não é possível bater o martelo. Precisamos acompanhar o comportamento do oceano nos próximos meses — ressalta Natália Pereira.

A própria NOAA destaca que episódios intensos de El Niño não garantem impactos severos, embora aumentem a probabilidade de determinados eventos climáticos.

No caso do Rio Grande do Sul, o principal efeito esperado é o aumento do volume de chuva. Como a formação do fenômeno deve ocorrer antes do previsto, há possibilidade de antecipação desse cenário chuvoso.

Enchente como a de 2024 não é inevitável

Meteorologistas ressaltam que um novo episódio de enchente extrema, como o registrado em 2024, não pode ser previsto com antecedência apenas pela presença do El Niño.

A tragédia foi agravada por fatores específicos da atmosfera, como bloqueios que concentraram chuva intensa sobre a mesma região durante vários dias consecutivos.

Um relatório recente do Comitê Científico de Adaptação e Resiliência Climática do Estado aponta que períodos de El Niño aumentam o risco de chuvas intensas e tempestades, mas destaca que desastres dependem também de fatores como vulnerabilidade urbana, ocupação de áreas de risco e capacidade de resposta do poder público.

O documento reforça a necessidade de preparação, com planos de contingência atualizados e estratégias de prevenção diante da possibilidade de eventos climáticos extremos.

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Carolina Gomes

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