Contrato aponta Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo de filme sobre Jair Bolsonaro

O deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atuou como produtor-executivo do filme Dark Horse, produção baseada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação consta em contrato obtido pelo Intercept Brasil e confirmado pela TV Globo.
O caso ganhou repercussão após reportagem publicada na quarta-feira (13) revelar que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar o longa-metragem. As negociações teriam contado com participação direta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente.
Segundo a publicação, Flávio pressionava por pagamentos ligados ao projeto. O banqueiro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões.
Agora, uma das linhas de investigação busca esclarecer se os recursos foram realmente destinados à produção do filme ou se a justificativa teria sido usada para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro do ano passado.
Na quinta-feira (14), Eduardo afirmou nas redes sociais que seu status migratório nos EUA impediria o recebimento de dinheiro de fundo ligado a Vorcaro.
De acordo com o contrato divulgado pelo Intercept, Eduardo Bolsonaro assinou digitalmente o documento em 30 de janeiro de 2024, ao lado do deputado federal Mário Frias (PL-SP), também identificado como produtor-executivo do projeto.
O documento prevê que os produtores participariam de decisões estratégicas relacionadas ao financiamento do filme, incluindo preparação de documentos para investidores, busca de recursos, incentivos fiscais, patrocínios e parcerias comerciais.
A produtora responsável pelo filme é a GoUp Entertainment, empresa sediada na Flórida e comandada pela brasileira Karina Ferreira da Gama e pelo empresário Michael Brian Davis.
Karina também é sócia do Instituto Conhecer Brasil, ONG que entrou na mira do Supremo Tribunal Federal (STF). Nesta sexta-feira (15), o ministro Flávio Dino determinou abertura de apuração preliminar para investigar possíveis irregularidades no envio de emendas parlamentares a entidades ligadas à GoUp, incluindo o instituto.
O STF também tenta intimar o deputado Mário Frias para prestar esclarecimentos sobre a destinação de recursos públicos à organização.
Em nota, o Instituto Conhecer Brasil afirmou que todos os projetos seguem as exigências legais, com prestação de contas, fiscalização e acompanhamento técnico.

