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SANTO ÂNGELO
09 de maio de 2026
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Opinião

Grande festividade

  • maio 9, 2026
  • 3 min read

Inconteste, a pomposidade dos festejos dos quatrocentos anos, da chegada dos jesuítas em terras rio-grandenses, até então terras guarani. Ficou a impressão de que no Rio Grande, tudo é missões, somente missões, mas festejos não se esgotaram, continuam e segundo é possível compreender, será um ano dedicado a chegada dos jesuítas.
Até então, porque depois, necessariamente, passaram ao domínio da congregação Inaciana, não somente as terras, também, os frutos que ela deu, os quais, colhidos, eram remetidos ao continente europeu, o contraponto da venda, nunca chegou às mãos dos antigos detentores do domínio da terra, porém, o trabalho árduo e febril, recaiu sobre os nativos, nunca, jamais, foi exercido pelos europeus, das vestes longas.
No conjunto dos Sete Povos ergueram-se monumentos impressionantes, para estupefação de muitos turistas e, de locais mais entusiastas, denotam o gigantismo dos Trinta povos, o que não pode ser negado, considerando, o tamanho das catedrais e os seus entornos, no momento em que convido o leitor a mergulhar no âmago propriamente dito, da conjuntura da congregação, seus objetivos, dir-me-ão, os padres eram inteligentes, sem dúvidas, pretendiam salvar almas, para aí! Quem salva almas?
Os nativos aqui deste lugar, tinham a alma turva? E os deuses deles, não eram deuses, e, os deuses dos jesuítas diferiam daqueles que amparam os seres espalhados por perdidos rincões, quem pode afirmar que um deus pregado por quem quer que seja, é diferente de um deus pregado por um clérigo, ainda, a pregação proferida pelo leitor, é infeliz, enquanto, alguém, vestindo paramento, somente exalta verdades e procede de forma justa na vida, a conclusão é sua, caro leitor.
Falando em missões, é lamentável que se propague alguns fatos e outros sejam escondidos, por exemplo, missões existiram em todo Rio Grande, além, das missões dos Sete Povos, existiu o Tape, onde os Jesuítas, arrebanharam riquezas para si, é inconteste, a ocupação do território, apenas, lembrar Cristóvão de Mendonça (Mendoza), no Campo dos Bugres (hoje, Caxias do Sul), todavia, na América, aproximadamente, 300 jesuítas, foram mortos, por insatisfação dos nativos do lugar, a literatura brasileira, diz, por índios hostis, mas e o invasor não fora hostil aos nativos?
Nas pomposas festividades dos quatrocentos anos da chegada dos jesuítas em terras sulinas, há que se perguntar, sem dramatizar, dos milhares e milhares de nativos existentes 400 anos passados, teríamos, hoje, quatrocentos índios, para participar do banquete?!

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Renato Schorr

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