
Enquanto muitas mães comemoram o Dia das Mães em casa, com os filhos nos braços e ao lado da família, outras vivem uma rotina marcada pela apreensão e pela esperança nos corredores de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal. São mulheres que acompanham diariamente a recuperação dos filhos prematuros ou que enfrentam complicações de saúde logo após o nascimento.
Entre incubadoras, monitores e procedimentos médicos, muitas famílias enfrentam dias de incerteza, mas também de superação. Essa é a realidade de Mariele Bazzei, moradora de Entre-Ijuís, que no dia 9 de abril deu à luz às trigêmeas na maternidade do Hospital Regional das Missões (HRM). Martina, Sofia e Cecília vieram ao mundo com 31 semanas de gestação, pesando pouco mais de um quilo cada, por meio de uma cesariana.
Mariele conta que a gestação das trigêmeas exigiu acompanhamento constante e atenção redobrada por se tratar de uma gravidez de alto risco. As bebês nasceram prematuras, seguindo orientação médica, situação considerada comum em gestações múltiplas devido ao limite do útero para o desenvolvimento dos bebês. Apesar do nascimento antes do tempo previsto, as meninas nasceram bem e seguem se desenvolvendo com saúde.
E é dentro da UTI Neonatal que a mãe se divide em três para oferecer colo, aconchego e carinho às filhas. Em casa, o pai Matheus e a irmã Maitê aguardam o dia em que as pequenas receberão alta. E falando em família, Mariele conta que a avó das bebês já comprou três pares de brincos para ajudar a diferenciar as netas. “É igual, mas com pedrinhas diferentes”, comenta.
Na UTI Neonatal, cada pequena conquista ganha um significado enorme. E antes mesmo de ir para casa, muitos bebês já precisam enfrentar — e vencer — a primeira grande batalha da vida. Para Mariele, o amor, o carinho e o cuidado fazem toda a diferença. E é nesse olhar que só uma mãe é capaz de ter pelo filho que as esperanças se renovam.
A ESPERANÇA QUE HOJE CORRE, SORRI E CRESCE SAUDÁVEL
O ambiente silencioso da UTI Neonatal também carrega histórias marcadas pela força e pela gratidão. A educadora física Gabriela da Silva Severo, de 29 anos, viveu essa experiência com o filho Matteo, que nasceu em janeiro do ano passado, com 40 semanas de gestação. Apesar da idade gestacional adequada, o bebê aspirou mecônio durante o parto e precisou ser internado na UTI Neonatal do Hospital Regional das Missões.
Gabriela conta que a maternidade começou de uma forma que nunca imaginou e que nenhuma mãe se prepara para viver dias tão intensos dentro de uma UTI. “No meu caso, o Matteo estava entubado, recebendo várias medicações. É uma sensação de impotência”, relata.
A educadora física comenta que um dos momentos mais difíceis foi voltar para casa sem o filho nos braços. “Você precisa ressignificar aquele momento, ser forte todos os dias. Tem dias em que você consegue, e tem dias em que desaba”, relembra.
Mas, apesar da mistura de medo e esperança, com o apoio do marido, Yago Colleoni, essa foi mais uma batalha vencida. Hoje, a sensação é de alívio e alegria. Ver o pequeno Matteo, hoje com um ano e meio, saudável e sem sequelas, é motivo de gratidão.
“Depois que a gente passa por uma experiência como essa, muita coisa irrelevante deixa de ter importância. Hoje eu olho para ele e vejo um milagre em cada detalhe. E se você está vivendo isso, acredite: vai passar”, finaliza Gabriela.
A UTI NEO DO HRM
A Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Hospital Regional das Missões conta com 10 leitos e uma equipe multidisciplinar formada por médicos pediatras e neonatologistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistente social e cirurgiã pediátrica.
Há 17 anos, a unidade é referência no Estado no atendimento a bebês que necessitam de cuidados intensivos.
Redação Grupo Missões | Lara Santos

