Lula viaja aos EUA para encontro com Donald Trump
Carolina Gomes
- maio 4, 2026
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca nesta quarta-feira (6) para Washington, onde terá uma reunião oficial com o presidente Donald Trump na quinta-feira (7).
A agenda é tratada pela diplomacia brasileira como estratégica para retomar o equilíbrio nas relações comerciais entre os dois países, após um período marcado por tensões e imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Além das questões econômicas, o encontro deve abordar temas como a situação política na Venezuela, cooperação em minerais críticos e terras raras, além de segurança internacional.
A viagem ocorre após uma semana de desgaste para o governo brasileiro no cenário interno, com derrotas no Congresso, incluindo a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal e a derrubada de veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria.
No campo diplomático, a reunião também acontece pouco tempo depois de um atrito entre os dois países envolvendo o ex-deputado Alexandre Ramagem. A prisão dele nos Estados Unidos gerou uma reação em cadeia entre os governos, com retirada de credenciais de agentes dos dois lados, com base no princípio da reciprocidade.
Negociações e contexto
A realização do encontro vinha sendo articulada desde janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 50 minutos e demonstraram interesse em tratar divergências de forma direta.
Inicialmente previsto para março, o encontro foi adiado em razão de fatores externos, como o aumento das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Entre os principais pontos em negociação estão a revisão de tarifas aplicadas a produtos brasileiros, a ampliação da cooperação em segurança pública — incluindo combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro — e discussões sobre a classificação de facções criminosas brasileiras em listas internacionais.
O governo brasileiro também atua para evitar que organizações como o CV e o PCC sejam incluídas pelos Estados Unidos na lista de grupos terroristas.
Caso Ramagem
O episódio envolvendo Alexandre Ramagem intensificou o clima de tensão diplomática. Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ele foi detido nos Estados Unidos em abril pelo serviço de imigração norte-americano e liberado dois dias depois.
Ramagem havia deixado o Brasil em 2025, pouco antes de ser condenado pelo STF em investigação sobre tentativa de golpe. Desde então, reside nos Estados Unidos, onde solicitou asilo — processo ainda em análise.
Após a prisão, o governo norte-americano determinou a saída de um delegado brasileiro que atuou na operação. Em resposta, o Brasil retirou as credenciais de um agente dos EUA, adotando medida equivalente.

