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SANTO ÂNGELO
01 de maio de 2026
Rádio AO VIVO
Opinião

E se fosse só mais um mês?

  • maio 1, 2026
  • 3 min read

Há uma parte da medicina que não aparece nos livros com a força que aparece na vida real: a necessidade de comunicar más notícias.

O médico, muitas vezes, é colocado diante de um momento que ninguém gostaria de viver. Há exames sobre a mesa. Há uma família em silêncio. Há um paciente tentando entender, pelo olhar de quem fala, se ainda existe tempo, cura, esperança ou apenas caminho.

E, nesses instantes, a vida muda de tamanho.

Aquilo que parecia urgente pela manhã perde importância à tarde. A discussão pequena, a conta atrasada, a vaidade ferida, a resposta atravessada, o orgulho mantido por anos, tudo parece menor quando alguém entende que talvez o tempo seja curto.

É nesse ponto que, além de médico, também me percebo cidadão. Porque as más notícias que a medicina comunica individualmente talvez sejam, de algum modo, avisos coletivos. Elas nos obrigam a perguntar: afinal, que vida estamos levando? O que estamos colocando no centro? Quais prioridades estamos aceitando como se fossem inevitáveis?

Tenho pensado muito nisso.

O que tu farias se alguém te dissesse, com seriedade, que talvez tivesses apenas mais um mês de vida?Para quem tu ligarias primeiro?Qual pedido de desculpas deixaria de ser adiado?Que abraço tu daria com mais demora?Que viagem tu não deixaria mais para depois?Que briga perderia completamente o sentido?Que objeto, cargo, disputa ou ressentimento simplesmente deixaria de importar?

Talvez tu descobrisses que não precisavas de tanta coisa. Talvez percebesses que algumas pessoas deveriam estar mais perto. Talvez entendesses que a paz vale mais do que a razão. Talvez tivesses vontade de caminhar sem pressa, de olhar melhor para os filhos, de ouvir os pais, de visitar um amigo antigo, de entrar em casa sem carregar o mundo nos ombros.Talvez tu quisesses consertar algo.Uma relação. Uma promessa. Uma escolha. Um excesso. Uma ausência.

Talvez quisesses mudar a forma como trabalhas, como comes, como dormes, como tratas teu corpo, como respondes às pessoas, como administras tua ansiedade, como distribuis teu tempo.

A medicina me ensinou que a vida é frágil. Mas também me ensinou que, quando percebemos essa fragilidade, podemos viver com mais verdade.

Então fica a provocação.Se tu tivesses apenas mais um mês, o que mudarias?

E, principalmente: por que não começar agora?

Prendam quem inventou essa história de adiar tudo… A vida é hoje.

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NORBERTO WEBER WERLE

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