Polícia investiga suspeita de fraude em laudos para obter morfina em UPA de Cruz Alta

A Polícia Civil investiga uma paciente suspeita de falsificar laudos e receitas médicas para obter morfina em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Cruz Alta, no noroeste do Rio Grande do Sul.
A apuração começou após denúncia do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul. Conforme o boletim de ocorrência, a coordenação da UPA relatou aplicações repetidas de morfina em altas doses com base em documentos falsificados, o que levou à suspensão de novas administrações do medicamento sem avaliação médica.
Profissionais de saúde também manifestaram preocupação com a possibilidade de reação agressiva da paciente diante da negativa de novos atendimentos.
A suspeita de fraude surgiu após contato com um dos médicos que constava como responsável por um dos laudos apresentados. Segundo o registro policial, foi constatada possível falsificação de carimbo e assinatura do profissional. Um dos documentos indicava a aplicação de 20 mg de morfina a cada duas horas.
De acordo com a ocorrência, a paciente já recebe mensalmente medicação fornecida pelo Estado, com cerca de 360 ampolas de morfina, por decisão judicial. A polícia também apura a autenticidade de outros laudos apresentados. A identidade dela não foi divulgada.
Em nota, a prefeitura informou que instaurou sindicância para apurar o caso e destacou a atuação da equipe da UPA na identificação das irregularidades. Já a Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul afirmou que adotará medidas administrativas e reforçou o compromisso com a segurança dos pacientes e a integridade do sistema público de saúde.
Para o presidente do SIMERS, Marcelo Matias, o caso é considerado grave, mas deve ser analisado também sob a perspectiva de saúde. Segundo ele, há indícios de dependência, o que exigiria acompanhamento adequado.
— Trata-se de uma situação extremamente grave. É uma paciente que precisa de tratamento — afirmou.
O que diz a Prefeitura de Cruz Alta
“A Secretária Municipal de Saúde de Cruz Alta, esclarece que tomou de forma imediata e enérgica, todas medidas cabíveis diante da identificação de documentos com indícios de falsidade apresentados por paciente na UPA 24h. É fundamental valorizar a competência e a prontidão da equipe técnica e administrativa da UPA, que detectou as irregularidades e agiu com rigor para proteger a integridade do serviço público. O Município instaurou uma sindicância investigativa para apurar os fatos com transparência e ética. Reiteramos nosso compromisso com a legalidade e o repúdio a qualquer prática que viole os preceitos da saúde pública.”
Cruz Alta, 29 de abril de 2026.
O que diz a Secretaria Estadual de Saúde (SES)
O Departamento de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DEASUS), da Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, informa que tomou conhecimento da denúncia relatada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul envolvendo a suspeita de falsificação de laudos médicos para obtenção de medicamento de uso controlado (morfina) em Unidade de Pronto Atendimento do município de Cruz Alta.
A Secretaria esclarece que o referido caso encontra se sob investigação da Polícia Civil, a quem compete a apuração criminal dos fatos, razão pela qual a SES/RS informa manter cooperação institucional, resguardando as atribuições legais de cada órgão e o devido processo legal.
No âmbito de suas competências, a Secretaria Estadual da Saúde adotará providências administrativas, por meio de seus órgãos técnicos, com o objetivo de acompanhar a situação, verificar eventuais inconformidades assistenciais ou administrativas e avaliar a necessidade de medidas adicionais no âmbito do SUS estadual. Caso sejam identificados indícios que demandem atuação dos órgãos de controle interno ou externo, as medidas cabíveis serão adotadas e formalmente encaminhadas.
Em relação ao controle e monitoramento de prescrições de medicamentos sujeitos a controle especial, a SES/RS informa que existem normativas federais e protocolos sanitários que regem a prescrição, dispensação e uso desses medicamentos, incluindo exigência de receituários específicos, registros obrigatórios e fiscalização sanitária, os quais são executados em articulação entre vigilâncias sanitárias, serviços de saúde e demais órgãos do sistema.
O Estado permanece atento ao cumprimento dessas normas e ao fortalecimento dos mecanismos de controle, especialmente em situações que envolvem medicamentos de alto risco. Quanto às medidas relacionadas à segurança das equipes de saúde e à continuidade do atendimento à população, a Secretaria acompanha as decisões adotadas no âmbito da gestão local da unidade, no sentido de resguardar a integridade dos profissionais, assegurar condições adequadas de trabalho e garantir que a assistência aos usuários do SUS ocorra de forma segura e responsável.
Sempre que necessário, o Estado orienta os gestores locais quanto à adoção de protocolos assistenciais, fluxos de segurança e medidas de apoio às equipes. A Secretaria Estadual da Saúde reforça que situações dessa natureza são tratadas com máxima seriedade, transparência e respeito à legislação vigente, reiterando seu compromisso com a segurança dos pacientes, dos profissionais de saúde e com a integridade do Sistema Único de Saúde. Novas informações poderão ser prestadas à medida que houver avanços nas apurações pelas autoridades competentes.

