Saída dos Emirados da Opep pode afetar preço do petróleo e combustíveis
Carolina Gomes
- abril 28, 2026
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O ministro de Energia do país, Suhail Mohamed al-Mazrouei, afirmou que a saída foi definida após uma análise detalhada da estratégia energética nacional.
Criada em 1960, a Opep reúne países produtores com o objetivo de regular a oferta global de petróleo e influenciar preços. Já a Opep+, formada em 2016, amplia esse grupo com outros grandes produtores, que atuam de forma coordenada no mercado internacional.
A decisão dos Emirados ocorre em meio a um cenário de crise energética global, agravada por tensões com o Irã. O movimento pode aumentar a instabilidade e enfraquecer a atuação conjunta do bloco, que historicamente busca demonstrar unidade, apesar de divergências internas.
Segundo Mazrouei, a decisão foi tomada de forma independente, sem consulta prévia a outros países. Ele também minimizou possíveis impactos imediatos no mercado.
A região já enfrenta dificuldades logísticas, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O local tem sido afetado por ameaças e ataques durante o conflito regional.
Aliado dos Estados Unidos, os Emirados vêm criticando outros países árabes pela resposta considerada insuficiente diante de ataques iranianos.
A saída também é vista como favorável ao presidente Donald Trump, que já criticou a Opep por influenciar a alta nos preços do petróleo. Ele costuma relacionar o apoio militar norte-americano na região às políticas adotadas pelos países produtores.
Autoridades dos Emirados também demonstraram insatisfação com a postura de blocos regionais, como o Conselho de Cooperação do Golfo, diante do cenário de tensão no Oriente Médio.
O que é a Opep
Criada em 1960, a Opep reúne países produtores com o objetivo de coordenar a oferta de petróleo no mercado global e influenciar os preços da commodity. (Mundo Educação)
Atualmente, os membros do grupo respondem por cerca de 30% da produção mundial, embora haja grande diferença entre os volumes produzidos por cada país.
Veja a produção média entre os integrantes:
- Arábia Saudita: 8,96 milhões de barris/dia
- Iraque: 3,86 milhões de barris/dia
- Irã: 3,26 milhões de barris/dia
- Emirados Árabes Unidos: 2,92 milhões de barris/dia
- Kuwait: 2,41 milhões de barris/dia
- Nigéria: 1,35 milhão de barris/dia
- Líbia: 1,14 milhão de barris/dia
- Venezuela: 921 mil barris/dia
- Argélia: 907 mil barris/dia
- Congo: 260 mil barris/dia
- Gabão: 224 mil barris/dia
- Guiné Equatorial: 57 mil barris/dia
O que é a Opep+Em 2016, diante da queda nos preços do petróleo, a Opep ampliou sua articulação e passou a atuar em conjunto com outros grandes produtores. Assim surgiu a Opep+, que reúne hoje 23 países.
Além dos membros da Opep, o grupo inclui:
- Rússia
- Cazaquistão
- Azerbaijão
- Omã
- Bahrein
- Brunei
- Malásia
- Sudão
- Sudão do Sul
- México
Como esses grupos influenciam o preço do petróleo
A Opep e a Opep+ se reúnem periodicamente para definir quanto petróleo será colocado no mercado.
- Se a demanda cai → o grupo pode reduzir a produção para sustentar os preços
- Se a demanda sobe → pode aumentar a oferta para evitar alta excessiva
Por isso, decisões como a saída dos Emirados são acompanhadas de perto, já que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda global.
Impacto no bolso dos brasileiros
Mudanças nesses grupos costumam refletir no preço do petróleo — e, consequentemente, nos combustíveis no Brasil.
Isso acontece porque o valor do barril é um dos fatores usados pela Petrobras para definir preços de gasolina, diesel e gás de cozinha.
Mesmo assim, o impacto não é imediato. Outros fatores também pesam:
- cotação do dólar
- política de preços da Petrobras
- carga de impostos
Por isso, ainda é cedo para medir o efeito concreto da saída dos Emirados nos preços no país.

