As memórias fotográficas
Estava no alojamento quando fui informado da dispensa para participar dos Jogos Jurídicos Nacionais, em Novo Friburgo-RJ. Ficaria, portanto, uma semana longe dos afazeres do NPOR (1997).
Havia poucas horas para arrumar as minhas coisas, e não poderia deixar de levar uma máquina fotográfica, com um filme de trinta e seis poses. Nunca havia deixado o Rio Grande do Sul, de modo que estava eufórico com a possibilidade de conhecer, ainda que de passagem, a Cidade Maravilhosa.
O ônibus que transportava a delegação santo-angelense partiu da antiga FADISA com destino ao Sudeste brasileiro. Não recordo com exatidão, mas acredito que chegamos à capital fluminense ao amanhecer, quando, democraticamente, escolhemos conhecer o Pão de Açúcar.
A essa altura, eu já registrava imagens que me deixavam estupefato. A beleza justificava todas as poesias escritas sobre o Rio, apesar das históricas contradições sociais.
Escolhia minuciosamente o local para cada clique. O dia estava lindo. Não havia a mínima possibilidade de alguma fotografia não expressar todo o esplendor da cidade abençoada por São Sebastião.
Partimos para a cidade serrana, onde os Jogos seriam disputados. As minhas retinas, por óbvio, carregavam infinitas imagens que estavam sendo processadas em intensa atividade cerebral.
Caímos nas quartas de final na disputa do futebol de campo. Restava retornar ao Rio Grande do Sul, trazendo cuidadosamente o filme que eternizaria as escolhas fotográficas.
De volta à rotina missioneira, fui ao centro para a revelação do filme, na esperança de logo encartar as belíssimas fotografias no meu álbum, compartilhando-as com amigos e familiares.
A atendente, em tom fúnebre, comunicou que as fotos haviam sido queimadas. Recordei-me de um breve instante no Morro da Urca: uma despretensiosa abertura da máquina para conferir se o filme estava encaixado.
A única fotografia que restou daquela tragédia era justamente a derradeira, tirada no interior do quarto do hotel, sem os conhecidos matizes da cena carioca.
Em desespero, restou-me recorrer à memória para que as lembranças daquela viagem pudessem sobreviver em mim, restando a lição, até hoje exercitada, que os momentos devem ser eternizados em nós.

