Rover da NASA encontra moléculas orgânicas em Marte e amplia pistas sobre origem da vida

Um rover da NASA identificou em Marte uma diversidade de moléculas orgânicas, incluindo compostos considerados fundamentais para a origem da vida na Terra.
O estudo, publicado nesta terça-feira (21) na revista Nature Communications, marca a primeira vez que um experimento químico desse tipo é realizado em outro planeta.
Apesar da relevância, a descoberta não comprova a existência de vida em Marte. No entanto, indica que o planeta possui condições para preservar moléculas que podem servir como evidência de vida antiga — um avanço importante para a astrobiologia.
O experimento foi conduzido pelo rover Curiosity, que está em operação desde 2012. A análise foi feita em 2020, na região de Glen Torridon, dentro da cratera Gale — área rica em argilas, minerais que favorecem a conservação de compostos orgânicos.
Para estudar as amostras, o rover utilizou uma substância química chamada TMAH, capaz de fragmentar moléculas maiores e facilitar sua identificação pelos instrumentos a bordo. Como o equipamento levava apenas dois recipientes do reagente, a escolha do local foi estratégica.
Entre os compostos encontrados, um chamou atenção por conter nitrogênio e apresentar estrutura semelhante à de substâncias que deram origem ao DNA — algo inédito em Marte. Outro composto identificado é comum em meteoritos, que podem ter contribuído para o surgimento da vida na Terra.
Segundo a pesquisadora Amy Williams, os dados indicam que a matéria orgânica analisada pode ter cerca de 3,5 bilhões de anos. Para ela, a preservação desses materiais ajuda a entender se o ambiente marciano já teve condições de sustentar vida.
O achado também reforça a ligação entre Marte e a Terra, já que parte desses compostos pode ter sido transportada por meteoritos que atingiram ambos os planetas.
Outro ponto relevante é que essas moléculas resistiram por bilhões de anos em um ambiente extremo, com alta radiação, atmosfera rarefeita e grandes variações de temperatura. As argilas da cratera Gale atuaram como uma espécie de proteção natural, preservando os compostos ao longo do tempo.
Ainda assim, os cientistas destacam uma limitação: não é possível determinar se a origem dessas moléculas é biológica, geológica ou extraterrestre. Todas as hipóteses permanecem em aberto.
Para esclarecer essa questão, será necessário trazer amostras de Marte para análise em laboratórios na Terra — objetivo de futuras missões espaciais planejadas por agências internacionais.

