Perfil de presos por violência contra a mulher no RS aponta maioria entre 35 e 45 anos

Um levantamento analisou o perfil dos homens privados de liberdade com histórico de crimes contra a mulher em casas prisionais do Norte e Noroeste do Rio Grande do Sul. Os dados indicam predominância de homens brancos, entre 35 e 45 anos, com ensino fundamental incompleto e religião católica.
Na região, dos 6.622 detentos, 1.144 possuem registros de violência contra a mulher, o que representa 17,3% da população carcerária. O índice supera a média estadual, que é de 12,8%, com 6.554 casos entre os 51.022 presos no Estado.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, Joice Graciele Nielsson, a taxa mais elevada de prisões não indica, necessariamente, maior incidência de violência, mas pode estar relacionada à atuação mais estruturada das redes de proteção e segurança na região.
O estudo faz parte do projeto “Sobre Eles”, desenvolvido em parceria entre a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo e a Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Os dados foram atualizados em 20 de março de 2026.
Outro ponto destacado é que o perfil regional difere da tendência nacional. Enquanto, no Brasil, a maioria dos presos por esse tipo de crime é composta por pessoas pretas e pardas, nas 24 unidades prisionais analisadas no Norte e Noroeste gaúcho, 65% dos detentos são brancos.
A pesquisa também aponta concentração em uma faixa etária mais elevada: 37% dos presos têm entre 35 e 45 anos, e metade possui ensino fundamental incompleto. Segundo a pesquisadora, esse perfil se aproxima do padrão geral da população carcerária e reflete características sociais e culturais locais.
Em comparação com a Região Metropolitana, o interior apresenta menor índice de “comorbidade delitiva”, ou seja, menor envolvimento desses agressores com outros crimes. Isso sugere que, em muitos casos, a violência contra a mulher não está necessariamente associada a outras práticas criminosas.
O consumo de álcool também aparece como fator relevante: em 37,7% das ocorrências, havia registro de ingestão de bebida alcoólica no momento da agressão. Para a pesquisadora, o dado reforça a necessidade de políticas públicas que considerem o contexto em que a violência ocorre.
Entre os crimes mais frequentes, destaca-se o descumprimento de medida protetiva, presente em 44% dos casos. Em seguida aparecem registros relacionados à Lei Maria da Penha (31%), lesão corporal (27%) e feminicídio (15%).
O alto índice de descumprimento de medidas judiciais chama atenção por indicar a violação de mecanismos criados para proteger as vítimas. Segundo a pesquisa, muitos desses homens permanecem pouco tempo no sistema prisional, o que reforça a necessidade de ações que evitem a reincidência.
O levantamento foi desenvolvido para subsidiar políticas públicas voltadas à prevenção, responsabilização e reeducação, além de contribuir para a interrupção do ciclo de violência doméstica.
A expectativa é que os dados ajudem na formulação de estratégias mais eficazes de enfrentamento à violência contra a mulher no Estado.
Fonte: GZH

