PT gaúcho será obrigado a desistir da candidatura própria para apoiar Juliana Brizola

A candidatura de Edegar Pretto a governador está com as horas contadas. A entrevista que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, deu ao Gaúcha Atualidade nesta quinta-feira não deixa dúvidas de que quem ainda resiste à aliança com o PDT será “convencido” a recuar.
Edinho começou elogiando Pretto, que definiu como “uma grande liderança, que tem um futuro brilhante pela frente”. Lembrou o discurso de Gilberto Kassab sobre Eduardo Leite, minutos antes de informá-lo que o candidato do PSD seria Ronaldo Caiado.
— Temos muito respeito pelo Edegar. O presidente Lula tem carinho por ele e reconhece sua liderança e a importância para a construção de um projeto democrático — disse Edinho para em seguida rifar o candidato do PT sem dó nem piedade.
O presidente do PT não fala em intervenção, mas não deixa margem para o diretório gaúcho insistir na candidatura própria. Justifica que está em jogo uma causa maior, que é “evitar a ascensão do pensamento fascista, da ultradireita racista, xenófoba e homofóbica, que ataca os valore civilizatórios construídos após a Segunda Guerra Mundial”.
Pelo discurso de Edinho Silva, o PT gaúcho não tem alternativa a não ser entregar a cabeça de chapa a Juliana Brizola em troca da entrada do PDT no “campo democrático” que apoia Lula. A eleição regional é apenas um detalhe. Mesmo que os petistas cruzem os braços, ao PDT interessa ter o tempo de TV do PT e o engajamento dos que estão dispostos a trabalhar para que Gabriel Souza não vá para o segundo turno.
A ala mais pragmática do PT está disposta a trabalhar pela eleição de Juliana, contando dividir o poder e influenciar nas políticas públicas se ela for eleita.
Edinho Silva já poderia ter resolvido o impasse no Rio Grande do Sul. Bastaria ter convocado o diretório nacional e pedido para aprovar uma recomendação aos gaúchos para desistirem da candidatura própria. O diretório estadual acataria a recomendação, mesmo a contragosto. O problema é que o que se tem até aqui são apenas falas de Edinho, que reproduzem o pensamento de Lula, mas sem uma orientação formal que justifique a saída de Edegar Pretto pela porta da frente.
Fonte: GZH| Coluna Rosane de Oliveira

