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SANTO ÂNGELO
14 de março de 2026
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Cultura Estado

Concerto da Ospa que celebra os 400 anos das Missões ocorre nesta sexta-feira em Porto Alegre

  • março 13, 2026
  • 6 min read
Concerto da Ospa que celebra os 400 anos das Missões ocorre nesta sexta-feira em Porto Alegre

Nesta sexta-feira (13), séculos da história do Rio Grande do Sul serão narrados por meio da música. A Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa) apresenta o concerto 400 Anos das Missões, reunindo artistas da música regional e herdeiros de um dos movimentos culturais mais marcantes do Estado.

A apresentação ocorre às 20h no Complexo Cultural Casa da Ospa, que fica no Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre, com expectativa de casa cheia. Os ingressos antecipados estão esgotados, mas uma pequena cota de entradas será liberada na sexta, a partir das 15h. Os valores variam entre R$ 15 e R$ 70.

Integração do regional com o sinfônico
Sob regência do maestro Manfredo Schmiedt, o espetáculo integra as comemorações oficiais pelos quatro séculos das Missões Jesuíticas Guaranis no Estado. Com arranjos inéditos do violinista Dhouglas Umabel, a proposta é aproximar a sonoridade sinfônica de um repertório profundamente ligado à tradição gaúcha.

— É uma data muito significativa. Ao longo da história da orquestra, já fizemos parcerias com estilos que não são propriamente a música de concerto. Tivemos rock, jazz, trilhas de cinema. Agora, a proposta é integrar esses grandes expoentes da música regional gaúcha com a orquestra sinfônica — explica Schmiedt.

Pilares da música missioneira
A ideia do concerto surgiu dentro da programação estadual dedicada ao aniversário das Missões e partiu de uma premissa clara de valorizar as obras dos quatro artistas considerados pilares da música missioneira: Pedro Ortaça, Jayme Caetano Braun, Cenair Maicá e Noel Guarany, que integram o chamado “tronco missioneiro”.

— Dentro do universo gigantesco da música missioneira, precisávamos escolher obras representativas. A primeira preocupação foi incluir composições desses quatro artistas essenciais, mas trazendo também outras músicas que dialogassem com a cultura missioneira — afirma o maestro.

Homenagem a Pedro Ortaça
O concerto foi estruturado como uma narrativa em três momentos, cada um representando diferentes dimensões da história e da identidade missioneira.

A primeira parte, O Grito e a Resistência, evoca a presença indígena e o espírito de preservação cultural que atravessa a região das Missões. A abertura traz Epopeia Guarani (Mário Amaral/Chico Saga/Nilton Júnior), seguida de composições de Pedro Ortaça, o último representante do tronco missioneiro.

Ortaça não poderá comparecer ao concerto por motivos de saúde, mas será representado pelos filhos, Marianita, Gabriel e Alberto Ortaça.

— Como ele é o único dos quatro que ainda está vivo, decidimos começar o concerto homenageando-o. Infelizmente, ele passou por uma cirurgia recentemente e não poderá vir, mas a família estará presente, cantando as suas canções — conta Schmiedt.

Poema de Jayme Caetano Braun
A segunda parte, A Alma, o Verso e a Mística, mergulha na tradição poética e na força da oralidade do cancioneiro missioneiro. Um dos momentos centrais será a declamação do poema Bochincho, de Jayme Caetano Braun, interpretado por Érlon Péricles acompanhado pelo violonista Lucio Yanel.

— Yanel acompanhou o Jayme na gravação original dessa obra. Então, será um momento muito especial — destaca o maestro.

O momento também incorpora influências latino-americanas presentes na música missioneira, com composições como Todo Cambia, do chileno Julio Numhauser, além de canções ligadas ao imaginário da fronteira e da vida campeira.

Além da região missioneira
O terceiro bloco, Legado, União e Fronteiras, evidencia como essa tradição musical ultrapassou os limites da região missioneira e passou a integrar o repertório da música gaúcha como um todo.

Entre as obras escolhidas está Milonga para as Missões, de Gilberto Monteiro, peça conhecida por sua circulação internacional entre instrumentistas do Cone Sul.

— É um repertório que fala das músicas da região das Missões, mas também mostra como isso se espalhou pelo Rio Grande do Sul e acabou formando grande parte da nossa música tradicional — resume o maestro.

Experiência ampliada
Levar o repertório missioneiro para a formação sinfônica exige alguns ajustes, conforme Schmiedt:

— O maior desafio é integrar os solistas com a orquestra. No meio popular, há mais liberdade para improvisar; mas, na orquestra sinfônica, tudo está escrito. Existe interpretação, claro, mas não há muita margem para mudanças inesperadas.

Mesmo assim, ele acredita que a combinação tende a ampliar a experiência do público:

— A essência das músicas foi totalmente preservada. O que muda é a roupagem. A orquestra traz cores diferentes, com cordas, madeiras, metais e percussão, enriquecendo essas canções que o público já conhece muito bem.

Diferentes gerações
O concerto reúne artistas de diferentes gerações da música regional. Entre os convidados estão Neto Fagundes, Ernesto Fagundes e Shana Müller.

Herdeiros diretos dos nomes históricos do movimento também estarão presentes, a exemplo de Patrício Maicá, filho de Cenair Maicá; Laura Guarany, filha de Noel Guarany; e a linhagem de Pedro Ortaça.

Para Schmiedt, reunir essas vozes no mesmo espetáculo é uma forma de evidenciar como o legado missioneiro continua vivo.

— São artistas que carregam a tradição missioneira e ajudam a espalhar essa música por todo o Estado — diz.

A atmosfera do espetáculo será mais próxima da música popular do que de um concerto clássico tradicional, conforme o maestro. Por isso, certas etiquetas caras a esse tipo de apresentação, como o silêncio absoluto, podem ser dispensadas.

— Em concertos populares, queremos justamente nos aproximar do público. Então, se as pessoas quiserem cantar junto, se quiserem aplaudir, será maravilhoso. A ideia é integrar solistas, orquestra e plateia — diz Schmiedt, adiantando que um bloco de bis já está preparado, mas será tocado “somente se o público aplaudir bastante”.

Ospa e convidados em “400 Anos das Missões”
Nesta sexta-feira (13), às 20h, no Complexo Cultural Casa da Ospa no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Av. Borges de Medeiros, 1.501), em Porto Alegre

Ingressos antecipados estão esgotados, mas uma pequena cota de entradas será liberada nesta sexta, a partir das 15h, no local

Os preços custam entre R$ 15 e R$ 70

Fonte: GZH

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Rafael Ferreira

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