Queda de mais de 1 milhão de matrículas marca educação básica em 2025, aponta Censo Escolar

O número de matrículas na educação básica brasileira caiu mais de 1 milhão entre 2024 e 2025, segundo dados do Censo Escolar 2025 divulgados nesta quinta-feira (26) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O total passou de 47,08 milhões para 46,01 milhões de estudantes.
De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, e técnicos do MEC, dois fatores explicam a redução: a queda na população em idade escolar nos últimos quatro anos e a diminuição da repetência, com mais alunos sendo aprovados de forma sucessiva.
Apesar da queda no número absoluto de matrículas, o ministério avalia que o atendimento melhorou, com menos estudantes fora da escola. “Essa é uma queda que representa um dado positivo”, afirmou o ministro.
O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que o país está próximo de universalizar o acesso à educação básica. “É uma vitória histórica. É a primeira geração que pode dizer, com segurança, que estamos todos na escola”, declarou.
Queda supera período da pandemia
Em números absolutos, a redução foi maior do que a registrada entre 2020 e 2021, durante a pandemia de Covid-19, quando houve retração de 600 mil matrículas (de 47,2 milhões para 46,6 milhões).
O total inclui todas as etapas da educação básica: creche, pré-escola, ensino fundamental, ensino médio, cursos técnicos, qualificação profissional e Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Entre os principais fatores para o recuo em 2025 estão:
- forte queda nas matrículas do ensino médio, que atingiu o menor patamar da série histórica do século XXI;
- retração na educação infantil, tanto em creches quanto em pré-escolas;
- enfraquecimento da EJA;
- diminuição do ensino técnico subsequente (cursado após a conclusão do ensino médio).
Segundo Fábio Pereira Bravin, da Diretoria de Estatísticas Educacionais do Inep, a redução acompanha a diminuição da população-alvo, especialmente nas faixas de 0 a 4 anos e de 15 a 17 anos.
Ensino médio atinge menor nível em mais de 20 anos
Mesmo com políticas para combater a evasão, como o programa Pé-de-Meia e a reformulação do Novo Ensino Médio, o número de matrículas caiu para 7,3 milhões — o menor patamar desde o início dos anos 2000.
Entre 2024 e 2025:
- Rede pública: queda de 6,30% (de 6.759.848 para 6.334.224 alunos);
- Rede privada: alta de 0,59% (de 1.030.548 para 1.036.655);
- Total: redução de 5,39% (de 7.790.396 para 7.370.879 matrículas).
São Paulo registrou a maior perda em termos absolutos: 251.987 alunos a menos no ensino médio, uma queda de 13,6% em um ano.
Entre os 26 estados e o Distrito Federal, apenas Amapá, Distrito Federal e Pernambuco apresentaram crescimento nas matrículas dessa etapa.
Historicamente, o ensino médio atingiu pico de 9,16 milhões de matrículas em 2004. Desde então, o número vem diminuindo de forma gradual. A rede pública, que chegou a 8 milhões de estudantes naquele ano, registrou 6,3 milhões em 2025. Já a rede privada manteve-se próxima de 1 milhão ao longo do período, com leve recuperação recente.
Educação infantil mostra estagnação
Na educação infantil — que abrange creche (0 a 3 anos) e pré-escola (4 e 5 anos) — houve redução de 205.712 matrículas (-2,17%), sendo 200.667 apenas na pré-escola.
A rede pública registrou o menor índice desde 2018. Em um ano, foram fechadas 1.126 pré-escolas públicas e 250 privadas.
O Plano Nacional de Educação (PNE) estabelece metas com base na proporção de atendimento. Segundo a Pnad Contínua 2024, o país não atingiu os objetivos:
- acesso à creche: 39,7% (meta de 50%);
- acesso à pré-escola: 93,4% (meta de 100%).
Especialistas defendem a ampliação das políticas públicas para que o país consiga alcançar as metas na próxima década.
EJA e ensino técnico também recuam
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) teve queda de 5,8% nas matrículas em 2025. Apenas no ensino médio da modalidade, foram cerca de 130 mil estudantes a menos.
Embora 801 novas escolas tenham passado a oferecer EJA, houve redução de 734 turmas em relação a 2024.
No ensino técnico, apenas a modalidade subsequente apresentou retração — a maior queda proporcional entre todas as etapas da educação básica: 16,25%, com 161.410 alunos a menos.
Ensino fundamental
O ensino fundamental teve redução de 195.589 matrículas entre 2024 e 2025, o que representa queda proporcional menor (-0,75%) em razão do grande volume total de estudantes do 1º ao 9º ano.
Os dados do Censo Escolar 2025 indicam que, embora o país esteja próximo da universalização do acesso, enfrenta desafios importantes em etapas estratégicas, como o ensino médio e a educação infantil.

