Decisão da Suprema Corte dos EUA alivia exportações do RS e retira cinco produtos do tarifaço de Trump

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que suspendeu as sobretaxas impostas pelo presidente Donald Trump a produtos de diversos países trouxe impacto direto para o Rio Grande do Sul. Cinco dos dez itens mais exportados pelo estado ao mercado americano deixam de ser atingidos pela tarifa adicional de 50%.
Juntos, esses cinco produtos representaram 28,1% do total embarcado pelo RS aos Estados Unidos em 2024 — ano considerado referência por não ter sido afetado pelas medidas tarifárias. O levantamento é da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs).
Tarifas setoriais continuam
Apesar da derrubada do aumento geral das alíquotas, a Suprema Corte não suspendeu as chamadas tarifas setoriais. Permanecem em vigor tributações específicas para determinados segmentos, como aço e alumínio (50%), automóveis (25%) e madeira (10%).
Entre os dez principais produtos exportados pelo RS aos EUA, quatro ainda seguem submetidos a alíquotas que variam de 10% a 50%. Já a pasta química de madeira — insumo utilizado na produção de celulose — estava com tarifa zerada desde setembro e não sofreu alteração.
Reação da Casa Branca é incerta
Ainda não há clareza sobre como a Casa Branca irá reagir. Meses antes, Trump havia sinalizado a existência de um “plano B” caso as sobretaxas fossem anuladas. Após a decisão desta sexta-feira (20), o presidente classificou o resultado como uma “vergonha” e afirmou que, embora haja pessoas comemorando, “não vão dançar por muito tempo”.
A Suprema Corte considerou ilegal o aumento das tarifas de importação sem autorização expressa do Congresso. Trump havia utilizado como base a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional de 1977 (Ieepa, na sigla em inglês) para justificar a medida. No entendimento da Corte, a legislação não concede ao presidente poder para impor tarifas dessa forma.
Com a aplicação imediata da decisão, exportadores gaúchos aguardam os próximos passos do governo americano e eventuais desdobramentos no cenário comercial.

