Sinédoque e metonímia
Sinédoque em português vem do agrego “synedochê” e significa compreensão. Consiste no emprego de uma palavra em lugar de outra na qual está compreendida, ou seja, com a qual tem íntima conexão, compreensão, entendimento. Exemplos: pão compreende alimento, vela compreende navio, ferro compreende espada, âncora compreende lar, lar compreende casa, fogão compreende lar e casa, trono compreende rei. Existem na língua portuguesa dezenas de exemplos de sinédoque.
E metonímia? É uma simples variante da sinédoque. Sinédoque e metonímia são denominações de distinção sutil. A distinção é tão sutil que há autores que dão como metonímia aquilo que é próprio da sinédoque e vice-versa. Outros há que nem mencionam sinédoque e metonímia. Ambos os tropos passam ao largo de tais autores, de tais gramáticos. Aparece aqui a palavra tropos. Que é, afinal, tropo? Tropo é o emprego de uma palavra em sentido figurado. Pronúncia? O primeiro “o” de tropo tem som fechado: trô. Veio do latim “tropum” ao português e do latim ao grego “tropêo”. “Tropum” significa volta e “tropêo” significa girar. Tropo, dito em linguagem simples e popular, é palavra que volta ou gira um significado real a um significado figurado ou deste àquele.
Se na sinédoque se emprega o nome de uma coisa em lugar de nome de outra nela compreendida, na metonímia a palavra é empregada em lugar de outra que a sugere, ou seja, em vez de uma palavra emprega-se outra com a qual tenha qualquer relação por dependência de significação, de ideia. Exemplo de metonímia? Este: damasco. Damasco pode significar ou passar a ideia de tecido ou de abrunho provenientes de Damasco. Observa-se que o nome de um lugar – Damasco – acaba por designar os seus produtos industriais (tecido, tecidos) ou naturais (abrunho, abrunhos). Abrunho é fruto do abrunheiro. Fruto semelhante a uma pequena ameixa azulada. Abrunho vem do latim prunu. Prunu em latim significava e significa ameixa.
Assim, cabe dizer que os conceitos e exemplos de sinédoque e de metonímia aqui hoje apresentados vêm da Gramática Metódica da Língua Portuguesa, de Napoleão Mendes de Almeida, livro massudo, com setentas páginas, gramática indispensável para quem, lendo-a, estudando-a, deseja melhorar a fala e a escrita em nível culto da linguagem. Vale mais um caso de metonímia? Vale. Este vem na e da palavra perna. Perna que em tempos passados era só usada a de porco e para o porco passou depois e até hoje, metonimicamente, a ser usada para todos os animais que possuem pernas: mamíferos, aves, insetos… E também para os demais casos: perna de pau, perna de mesa, perna de cadeira, perna da calça, ter boas pernas…

