
A abertura oficial da colheita do milho no Rio Grande do Sul foi realizada na sexta-feira, 23 de janeiro, em São Borja, na Fronteira Oeste. Segundo a Emater/RS-Ascar, a área semeada no Estado chega a 94%, com uma estimativa de cultivo de 785.030 hectares e produtividade de 7.370 kg por hectare.
Apesar disso, muitos produtores da região das Missões já iniciaram a colheita, como é o caso da propriedade do engenheiro agrônomo Junior Milanesi, localizada nas proximidades do Aeroporto de Santo Ângelo. Conforme ele, são 300 hectares destinados ao plantio, sendo 250 hectares para grãos irrigados e 50 hectares para silagem, utilizada na alimentação do gado leiteiro, além da produção de grãos.
Milho para silagem
De acordo com Junior, a estimativa para a colheita do milho de sequeiro — cultivado sem irrigação e dependente exclusivamente das chuvas — varia entre 120 e 130 sacas por hectare, número considerado superior ao registrado nos últimos anos.
“Principalmente ali na época que ele começa a pendoar, entre novembro e dezembro, que são épocas delicadas na da flor. Quando o milho floresce e pendoa, a gente tem tido, praticamente nos últimos cinco anos, bastante dificuldade em manter o fluxo de chuva”, afirma Junior.
Milho irrigado
Já nas áreas irrigadas, a colheita começou nesta semana, e a expectativa do produtor é positiva, em razão da umidade média de 25%, das noites frias, dos dias quentes e ensolarados e da ocorrência de chuva e sol nos momentos adequados, fatores que favoreceram o desenvolvimento da cultura.
“Ou seja, nós esperamos uma média aí por volta de 220 á 230 sacas por hectare do milho, então a estimativa é que a gente tenha, pelo menos, de 10 a 15% acima da média total de produtividade”, comemora.
Junior ressalta que, em algumas áreas, a produtividade pode ser ainda maior. “Eu acredito que algumas lavouras, alguns pedaços das lavouras, assim, ou pivôs, consigam chegar a 260 sacas por hectare, outros mais por volta de 210, 200, mas a média total, uns 230, mais ou menos, é o que a gente espera”, afirma.
A expectativa é de uma colheita superior a 55 mil sacas de milho, o maior volume já registrado na propriedade.
Colheita avança em Entre-Ijuís
Já na propriedade da família Calegari, em Carajazinho, interior de Entre-Ijuís, nesta safra foram plantados 222 hectares de milho, área cerca de 10% maior do que no ano passado. “Apostando na cultura como estratégia de diversificação e aproveitamento da janela de plantio”, comenta Douglas Calegari Bohnert.
Questionado sobre a expectativa de produtividade para a colheita deste ano, o engenheiro agrônomo explica que o período de estiagem durante o enchimento dos grãos prejudicou principalmente as áreas de sequeiro, que registram produtividade média em torno de 110 sacas por hectare.
“Já nas áreas irrigadas, os resultados são muito positivos, com produtividades acima de 200 sacas por hectare, mostrando o quanto a disponibilidade hídrica foi determinante nesta safra”, reforça Douglas.
Na propriedade, cerca de 50% da área já foi colhida. Os dias ensolarados, que segundo o produtor impactam negativamente a soja, têm permitido acelerar a colheita do milho, garantindo melhor qualidade dos grãos e fluidez na operação.
Na avaliação de Douglas, em relação às últimas safras, o desempenho desta temporada foi razoável. “Mesmo com a estiagem no sequeiro, tivemos mais chuvas do que nos anos anteriores, o que ajudou a sustentar parte das produtividades”.
Para ele, a época de plantio foi determinante: “produtores que conseguiram plantar mais cedo escaparam da estiagem no pendoamento, o que fez grande diferença no resultado final”, finaliza.
Redação Grupo Missões

