Lula vê com cautela convite de Trump para Conselho da Paz da Faixa de Gaza

O convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a criação do chamado Conselho da Paz da Faixa de Gaza é tratado com desconfiança pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de definir uma posição, o chefe do Executivo brasileiro decidiu consultar líderes estrangeiros. O tema foi abordado nesta quinta-feira (22) em uma conversa telefônica de cerca de 45 minutos com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
Sem detalhar o conteúdo do diálogo, o Palácio do Planalto informou apenas que os dois líderes trocaram impressões sobre o cenário internacional e reafirmaram a defesa de uma reforma ampla das Nações Unidas e do Conselho de Segurança. Segundo a nota, Lula e Modi também reforçaram o compromisso com a paz na Faixa de Gaza e, de forma mais ampla, com o multilateralismo, a democracia e a promoção da paz global.
Lula tem uma visita de Estado à Índia programada para ocorrer entre os dias 19 e 21 do próximo mês, em Nova Délhi.
Avaliação interna
Auxiliares do presidente avaliam que o convite feito por Trump pode representar uma armadilha diplomática para o Brasil. A recusa poderia expor o país a possíveis sanções dos Estados Unidos, enquanto a aceitação do convite é vista como arriscada por envolver um projeto no qual Trump teria poder decisório centralizado, em desacordo com princípios do multilateralismo defendidos pelo governo brasileiro.
Antes de responder oficialmente à Casa Branca, Lula pretende ampliar as consultas com outros líderes internacionais. Além de acompanhar o posicionamento das principais potências europeias, o presidente quer priorizar o diálogo com países do Brics. Nesse contexto, além da Índia, devem ser ouvidos representantes da Rússia, China e África do Sul.

