Haddad defende atuação do Banco Central e diz que caso Master pode ser a maior fraude bancária do país

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, voltou a defender a atuação do Banco Central (BC) na liquidação do Banco Master, afirmando que o caso pode representar a maior fraude bancária da história do país. Segundo ele, há diálogo constante com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, responsável por determinar a liquidação da instituição financeira.
A medida foi adotada após investigadores identificarem operações suspeitas envolvendo a venda de carteiras de crédito do Master ao Banco de Brasília (BRB), que somariam R$ 12,2 bilhões. As transações levantaram indícios de fraude e estão sob apuração.
“Tenho falado quase diariamente com o presidente do Banco Central, dando todo o respaldo institucional da Fazenda. É um trabalho conjunto importante, que envolve também a Fazenda, inclusive com conexões em apuração com o caso Reag”, afirmou Haddad, em referência a fundos ligados à Operação Carbono Oculto.
Deflagrada em agosto de 2025 pela Polícia Federal, a Operação Carbono Oculto investiga um esquema de fraude tributária, lavagem de dinheiro e atuação do PCC no setor de combustíveis, com ações em dez estados.
Haddad também disse manter diálogo com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo. Nesta segunda-feira (12), Vital do Rêgo se reuniu com Galípolo para alinhar uma inspeção do TCU no Banco Central, após divergências sobre os limites da fiscalização. Após o encontro, o BC retirou recurso contra a decisão que autorizava a inspeção.
“O objetivo é garantir que o país conheça a verdade, apure responsabilidades e, se for o caso, obtenha ressarcimento dos prejuízos. O caso inspira muito cuidado. Temos de garantir o direito de defesa, mas agir com firmeza em defesa do interesse público”, afirmou Haddad.
O ministro reiterou confiança no trabalho técnico do Banco Central e disse que a transparência pode contribuir para esclarecer os fatos. A liquidação do Banco Master foi decretada em novembro do ano passado, com interrupção das atividades, afastamento da diretoria e acionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para ressarcimento de investidores, dentro dos limites legais.
Contas públicas de 2025
Haddad também afirmou que números preliminares do Tesouro Nacional indicam que a meta fiscal de 2025 deverá ser cumprida pelo terceiro ano consecutivo. Segundo ele, o déficit deve ficar em torno de 0,1% do PIB, dentro da margem prevista pelo arcabouço fiscal.
Pelas regras atuais, o governo pode registrar déficit de até 0,25% do PIB sem descumprir formalmente a meta, além de exceções relacionadas a precatórios. Ainda assim, analistas criticam a amplitude dessas exceções, apontando dificuldades para o equilíbrio fiscal.

